Gostaria de
começar a resenha agradecendo aos parceiros de aventura pela companhia e
coragem para enfrentar os desafios. Não poderia faltar um agradecimento do
Aspira que sou eu, ao Sargento Pincel – o Dono da Parada – que vocês sabem quem
é, pela organização do bagulho, que embora possa ser melhorada, nos rendeu
grandes e inesquecíveis emoções , dores e alegrias. Mas a cara branca, dele
assustado do sargento pincel depois da queda não tem preço, mais isso é assunto
do terceiro dia.
Vamos a resenha
do segundo dia do pedal, partindo de Mucugê em direção a Dona Raquel no Vale do
Pati. Em que pese o primeiro dia ter sido duríssimo, eu tinha certeza que o
segundo dia ia ser pior, pelas condições da subida, mas para minha ingrata
surpresa, a minha certeza foi agravada para pior, e como diria meu amigo
Primeiro Ano : “Por onde é o pior? Vamos por ele, pois quanto pior melhor.
Começo a manhã bem,
para não dizer mal, preocupado com o calor, achei de colocar o saco do
Camelback no frigobar, para congelar a água, pois o sol da subida prometia. Me
dei mal, o saco congelou e colou do congelador, preocupado com horário tentei
arrancar na força quebrei o pino de encaixe da mangueira no saco. Resultado, o resto do pedal sem Calmeback, com a aguar em
garrafa. Mas o pior foi que me desorganizei, não me concentrei na alimentação e
na hidratação do café da manhã, além de esquecer se fazer meu pão de reserva
como fizeram Kichute e o Sargento Pincel, já que a mulher não me respondeu se
podia ou não. Fui dar uma de educado demais, o que me custou caro. Por isso a
lição foi - não invente , faça o
trivial, sofrer você vai mesmo, de um jeito ou de outro, poderia ter pedido ou
comprado gelo de manhã , ou ainda pedir para colocar o saco do Camelback numa
geladeira grande e não teria tido problema.
Partimos de
Mucugê, em direção ao Pati, para subir pelo Aleixos, foram uns 35Km de um bom
sobe e desce em um estradão, sendo que a manhã que apresentava-se com um frio
gostoso típico da chapada, foi logo dando espaço ao sol da chapada, e que sol.
Antes da subida, repomos a água num povoado de gente simples, humilde, alegre e
prestativa que só se encontra em locais como aquele, que desapareceu nas
grandes cidades, sendo que a esta altura eu já imaginava o sofrimento, mas como
disse anteriormente ele foi pior. Depois de uma pequena dúvida sobre o caminho,
o Sargento Pincel encontrou o caminho, e a sensação foi de alegria e tristeza
ao olhar a subida e imaginar qual seria o caminho. A subida, a escalada de
pedra do Aleixos foi de lascar. Em função do sofrimento tomei a liberdade de
procurar o significado do que seria Aleixos. De acordo com o Dr. Google o nome
tem o sentido de “aquele que defende”, “aquele que repele os inimigos”,
“defensor”. Se eu soubesse diria antes de começar: “ Parceiro alivia ai, eu sou
amigo, não precisa se defender de mim, sou amigo”. Não me lembro o tempo que levei
subindo, na minha frente seguiam o Sargento Pincel, Guga, Cerca, Kichute e Malcom
X9 - Neylor . Atrás Alexandre, e as
superpoderosas, Carla e Mara. Na minha mente o sofrimento, o calor e a subida
de pedra de um lado para o outro que só piorava. Confesso que pensei em
desistir. Mentalmente xinguei o Soldado Pincel de tudo quanto é nome, o melhor
elogio foi pensar esse cara é doido, não havia sentido subir pelo Aleixos, o
defensor do Pati, revelava-se implacável, na defesa da beleza natura que estava
por vir. No meio da subida quando já fazia as contas da desistência, de ficar esperando alguém resgatar a minha mochila
e descer para o Guine apenas com a bike, eis que surge “Alexandre - O Grande”,
que me deu uma força e disse ; “ Vamos juntos”. O cara tinha dado “Perda Total”
no dia anterior e naquele momento estava ali, preparado, mentalmente forte para
me ajudar. Fiquei alegre e passei a administrar o esforço. Combinei com ele o
esforço, dali em diante subiríamos juntos. Nós subíamos até o batimento cardíaco
chegar em 170, e parávamos para descansar. Retomávamos a subida com batimento
cardíaco de 130. E assim o Aleixo foi sendo vencido, até chegarmos numa pequena
gruta, onde a vontade que deu foi dormir. Após xingar o Dono da Boca em toda a
subida, confirmei minha suspeita, o cara era militar, por isso ele é o
psicopata brocador, o Sargento Pincel. Vale destacar que inobstante o peso
extra que levei, uma coisa é certa, nas subidas da chapada, um bom tênis ajuda
muito.
Acabada a subida,
teríamos pela frente o gerais do Rio Preto, com as subidas e descidas de pedra,
onde Guga tomou um capote feio, tentando ser brocador, sendo que Kichute, que
assistiu a queda de camarote, antes de dar socorro e vê se o cara estava bem,
já foi se pocando de rir, engraçado foi ele se justificando para Guga depois, afirmando só riu por que viu que tudo estava tudo
bem.
Após a subida passamos
pelo Gerais do Rio Preto, e novo empurra bike , até a entrada do Vale do Pati,
conhecido para mim como Esbarrancado, mas que é revela-se um mirante , onde se
tem uma visão espetacular do Vale, um cenário lindo, para mim de uma beleza
indescritível e inesquecível, era minha 5ª vez naquele local e a sensação de me
sentir perto de Papai do Céu, era a mesma da 1ª vez , tamanha a beleza do lugar
.
De lá víamos a
descida do Arrodeio, que era trilha branca, o caminho para Dona Raquel, de
longe imaginavam que não conhecia , deve ser um down hill alucinante, e eu só
imaginando outra empurra a bike de lascar descendo e subindo. No mirante
encontramos um herói vendendo uma garrafa de suco da fruta gelada de 500 ml,
por R$ 5,00 e se ele cobrasse R$ 50,00 todo mundo pagaria, onde ele disponibiliza
o açúcar em separado para você adoçar. Detalhe na chapada tem mais gringo
caminhando que brasileiro, os caras não comem açúcar. Outro detalhe visão de
mercado e, sobretudo lição sobre trabalho, sobre iniciativa para enfrentar a
crise, para buscar o pão de cada dia dignamente, o cara sobe do Guine para o
Geais pelo Beco, com uma caixa de isopor nas costas, andando , escalando sobre
pedra, descalço para ganhar o pão de cada dia, e nem por isso explora as
pessoas, atende sorridentemente e com entusiasmo. Aquele cara merece ser
exemplo para qualquer palestra motivacional, exemplo real de luta. Ainda tem
gente boa e honesta neste pais.
Após o refresco
do suco e recuperado pela satisfação ao ver a imagem do vale, partimos para o
Cachoeirão, e eu, Aspira, já sabendo das dificuldades da descida do arrodeio,
com fome e que em função do horário incitei o motin, pedi ao Sargento Pincel
para esperar o retorno deles, no meio do caminho, próximo a entrada da descida
do arrodeio, pois sabia das dificuldades para chegar no Cachoeirão, e que em
função da seca , não compensava para mim que já conhecia, ir até o local,
naquelas condições . Comigo ficaram as Superpoderosas e o Malcom X9, torrando
no sol, até que após uns 25 minutos, o Sargento Pincel, retorna informando que
abortou a missão, quando passamos a descer o Arrodeio e verificar que o downhill
sonhado por alguns no mirante, era mais uma descida de empurra e carrega bike ,
onde eu já estava bufando de raiva, reclamando de tudo e sofrendo. Eu sofria
pela fome, pela dor, por ter que carregar peso da mochila e carregar a bike ,
naquele momento era nítido que meu condicionamento destoava dos lideres, quase
surtei, e ainda tinha que tolerar a pressão do Sargento Pincel, eu falava
demais porque conhecia o caminho e porque estava perto da exaustão, ali não é
lugar para bicicleta, só maluco faz aquilo, pensava.
Passada a subida
e descida de pedra da trilha branca, vem um trecho pedalavel final de descida,
de altíssimo risco, mas emocionante. Um descidão carvenoso, com curvas fechadas e erosões insanas.
Confesso que aproveitei pouco, pois estava cansado, bateu o medo de cair , por
não conseguir segurar a bicicleta em função do cansado, meu freio esquentou e no
trecho final empurrei, dizendo para mim mesmo, nunca mais volto aqui de
bicicleta. Vale destacar que Alexandre – O Grande quase passa reto numa
descida, ia ser uma queda feita, o cara nasceu de novo.
Ao chegar na
pensão de Dona Raquel, onde nunca tia ido, pois nas vezes anteriores que fui ao
Vale , sempre ia para Seu Wilson, em que pese a idéia fixa de contratar uma
mula ou alguém para subir com minha bike até o mirante e não passar pelos Funis
no outro dia, a sensação de completar aquele dia, de ser tão bem recebido,
comer uma comida simples, mas extremamente deliciosa, preparada por pessoas
simples, de estar incomunicável com o mundo, aplacou toda minha raiva do Sargento
Pincel e do que ele me obrigou a fazer, para dormir e acordar ao som dos
pássaros aos pés do Morro do Castelo,
onde dormi com a sensação satisfação pela superação, pelo dever cumprindo, pela
oportunidade de agradecer e conversar com Papai do Céu, que me deu forças para
chegar lá. Por isso encerro a resenha a deste dia, da mesma forma que iniciei,
agradecendo aos amigos pela companhia na aventura. O Sargento Pincel é
pisicopata, mas é gente boa. Que venha
2017. Leonov Moreira.
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2 comentários:
Mineiro parabéns pela resenha, ri demais com ela. O sargento Pincel bota pra quebrar. "Tá pensando que beiço de jejue é arroz doce é?" Kkkk
Ri também com seu comentário que Alexandre deu PT no dia anterior e estava ali te motivando. Ele deve ter se medicado na noite anterior como fez no último dia do Jalapão, alguma droga fortíssima. Kkkk
E pra completar a excelente resenha você narra Kichute rindo da desgraça de Guga. Que Kichute escrito é esse?
Kkkk
Galera, parabéns a todos. Lindas fotos, me fizeram recordar essa aventura na Chapada, que fizemos em 2013. Desse grupo, estavam presentes Kichute e Sargento Pincel. Kkk
Leonov, o sofrimento valeu a pena! Parabéns pela superação. E a resenha ficou massa mesmo, ri muito com ela. "Sargento Pincel", essa foi boa!kkkkk. Como sempre tudo muito bem registrado com belas fotos, que só aumentam a vontade de participar da próxima aventura neste pedaço tão espetacular da nossa Bahia.
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