A Expectativa para o Desafio A semana que antecedeu a viagem para Santo Antonio de Jesus já estava causando uma grande expectativa em todos os participantes, principalmente para os que, como eu, não tinham a menor idéia do que iriam encontrar pela frente, pois apenas ouvíamos os relatos de quem já tinha desafiado a natureza pelas muralhas da Serra da Jibóia.
Viagem para St. Antonio de Jesus
A viagem aconteceu em clima de descontração e diversão, principalmente pela resenha nos rádios durante o trajeto. Porém toda aquela algazarra na viagem mais parecia uma forma de afastar um pouco a tensão do desafio que estava por vir. A noite foi tranqüila, com uma recepção das mais calorosas possíveis pela família da esposa de Elson. Após um excelente jantar, fomos dormir (ou pelo menos tentar) por algumas horas.
Início do Desafio
Nos primeiros raios de sol do sábado, o grupo já estava se aprontando para o grande e esperado dia. Tomamos um café reforçado, preparamos as bikes e os suprimentos e partimos conforme o programado. Pelas visões iniciais da região, ficava cada vez mais evidente o que seria aquele pedal.
Primeiras Impressões – O relevo da região
Definitivamente, não havia trechos planos em nenhuma direção de onde estávamos. As condições geográficas da região eram singulares: subidas quase sem fim e descidas velozes e muito técnicas, exigindo, portanto quase tanto esforço quanto nas subidas. E assim seguimos por estradões por quase uma hora até adentrarmos na mata em um single track bem travado.
Cachoeira do Nunes – 25% de percurso até então
Após um longo tempo atravessando a floresta, chegamos à Cachoeira do Nunes, ponto de referência estrategicamente escolhido para recuperarmos parte das energias, afinal de contas ainda estávamos a 1/4 de nosso percurso, apesar de começarmos a notar um desgaste considerável. Descansamos um pouco e partimos em retirada para um forte single track de subida mata a dentro.
Trilha na Mata – Downhill
As subidas altamente técnicas em single tracks, com folhas e raízes em um ambiente úmido e escorregadio fizeram todos redobrarem a atenção. Estávamos margeando pontos altos, com penhascos sempre à nossa margem. O visual sempre era indescritível, pois a natureza estava lá para nos recompensar por todo o esforço desprendido. Ao chegarmos ao ponto mais alto deste trecho das montanhas, nos preparamos para um downhill de vários quilômetros em mata fechada, com obstáculos que exigiram perícia a cada metro que foi vencido em altas velocidades. Tudo certo com o grupo, todos desceram com segurança e só no final tivemos um susto com o Biker Rei, que conseguiu dar PT no seu capacete, mas continuou firme e forte, sem gravidade alguma após o tombo.
Primeira Baixa no Grupo – Popó desiste de continuar
Em outra parada do grupo, ainda perto da metade do desafio, Popó anunciou sua desistência. Houve um momento de tensão, principalmente pelo fato dele conhecer o que teríamos ainda pela frente e ter decidido parar. O sentimento de apreensão tomou conta principalmente dos novatos no desafio. Mesmo assim, o grupo seguiu em frente.
Início da Subida em Direção às Antenas – O desafio final
Com uma visão ainda distante das antenas e do topo da montanha, já estávamos no meio da tarde quando partimos para o objetivo final. Fizemos algumas descidas radicais, paramos em uma pequena casa próxima à grande escalada, tomamos água gelada, gentilmente fornecida pela Dona da casa e começamos a subida.
A subida Depois da Casa de Farinha
Pelalamos por várias horas até chegarmos à casa de farinha. Ali já conseguíamos ver a imponente montanha que estava cada vez mais próxima à nossa frente. A grandeza da natureza nos fazia repensar várias vezes sobre valores e conquistas. Estávamos nos preparando para a escalada final, rumo ao topo.
A Chegada às Antenas
Após a saída da casa de farinha, aparecia entre dois imensos paredões rochosos um single track de acentuado aclive, praticamente impossível de ser vencido no pedal. Mesmo assim, poucos no grupo como Elson e Guido desafiaram metro a metro com suas bikes. A escalada foi a mais difícil, caminhando ou pedalando. Atravessamos os últimos trechos de mata densa e chegamos no topo da montanha já ao pôr-do-sol. O desafio final conquistado deu um ânimo ao grupo. Uma sensação de vitória foi comum a todos. Lá do alto conseguimos falar com Popó pelo rádio o que tornou possível compartilhar com ele a grande conquista.
O Retorno – um desafio oculto
Após alguns minutos contemplando o visual, começamos a perceber pelos fortes ventos e queda brusca de temperatura que a montanha estava nos dando um recado: era hora de partimos. Começava a escurecer e teríamos mais de 7km de descida perigosa, pois o estradão estava cortado por erosões e o risco de acidentes era eminente. Estávamos cansados, porém cientes que ainda era metade do percurso. Tudo que fizemos até então era a metade do percurso. Por algum descuido ou mesmo cansaço que já tomava boa parte do time, fui traído pelas erosões e tomei um nocaute, mas em poucos minutos estava de pé no “ringue" para enfrentar a difícil tarefa também de descer.
O Último Ponto de Apoio – Recarregando as energias
Chegando ao pé da montanha, fizemos uma parada estratégica para a única "refeição" do dia. Os suprimentos já estavam no fim. A água já tinha acabado e, portanto esta parada foi fundamental para conseguirmos retornar. A temperatura naquela região caía rapidamente e o cansaço era evidente em cada um dos desafiantes.
O Resgate de Popó
Seguimos em frente, vencendo parte das ladeiras que passamos durante o dia. A imensidão do percurso estava um pouco mascarada pela escuridão. Apenas tínhamos uma certeza, as subidas praticamente intermináveis estavam lá nos esperando. Encontramos Popó quando já passava das 21h. Continuamos nosso longo percurso, com três desagradáveis imprevistos em minha bike. Pneu dianteiro furou em 3 horas o que não furou durante todo o dia.
Os Últimos 25% de Volta – Superando todos os limites
Ainda com 1/4 do percurso a ser vencido, ficava difícil entender de onde estávamos tirando energia para continuarmos firmes. O ritmo caiu um pouco, mas continuamos vencendo cada subida. E seguimos assim até entrarmos pela madrugada, já a poucos quilômetros do final do desafio.
A Chegada na Fazenda - Serra da Jibóia "Extreme" cumprida: 102 Km de muita superação.
Já dentro da fazenda, rumo à sede, fizemos um single track e uma subida forte, antes de finalmente descer rumo à casa, onde Dona Neide nos aguardava para um churrasco. Já tínhamos passado das 2:00h da madrugada quando finalmente comemoramos um dia de vitória e, sobretudo lição de vida.
Aprendemos muito sobre nossos limites e com certeza conseguimos refletir sobre nossos valores. Soubemos muito bem lidar com várias coisas ao mesmo tempo: ansiedade, incerteza, resistência, força, medo, dúvida, coragem, escassez, limites e dor.
Uma frase para resumir o que um grande atleta já sentiu em cima de uma bike:
"A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre." (Lance Armstrong)
Um grande abraço, Welseman.
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Olá Pessoal, 