No terceiro dia de viagem, não era
bem uma aventura e sim um deslocamento da vila de Toconao ,onde passamos a
noite, até a cidade de San Pedro de Atacama.
Toconao (altitude de
2.485mts) é uma vila situada a 38 km ao
sul de San Pedro (altitude de 2.440 mts) ligada através da Ruta 23 totalmente
asfaltada, com suas retas intermináveis, parecendo mais algumas cenas de filme
americano através da rota 66.
Como de costume acordamos por
volta de 8:00 hs da manhã com uma temperatura de 13 graus e fomos comprar nosso
café da manha, que foi digerido em uma mesinha dentro da pousada onde estávamos
hospedado. Depois fomos arrumar as
nossas talhas dentro dos alforjes e preparar as bikes para a viagem.
Antes de seguir viagem, fomos dar
uma volta na Praça de Toconao para sacar unas fotos. Encontramos um
representante da fauna andina, ou seja, uma lhama, animal domesticado que vem
do cruzamento do guanaco (selvagem) com a vicunha (também selvagem). Vimos
também uma caminhoneta toda de madeira que segundo nos foi informado por uma
moradora local, tratava-se do primeiro veiculo motorizado que chegou em
Toconao, vide fotos.
Na pracinha principal de Toconao
tem uma igreja um pouco diferente das demais vistas pois a Torre Campanário de
sua igreja é separada da estrutura principal da igreja e foi construída em
1750.
Como o dia parecia bem tranqüilo
com relação a pedalada, somente 38 km de asfalto sem muito desnível, iniciamos
o pedal com aquela preguiça e depois de muitas fotos na ponte sobre a quebrada
de Jerez, começamos a pedalar pelo asfalto no sentido de San Pedro.
Quebrada é o nome que se da às
erosões causadas pelas águas do degelo que abriram, ao longo do tempo, umas
crateras de mais ou menos um quinze metros de profundidade por uns 15 a 20
metros de largura em alguns pontos formando uma espécie de canyon por onde as
vezes ainda tem um pouco de água na sua parte mais profunda, o que pode ser
observada também no google earth.
Depois de uns 7 km de asfalto
encontramos um desvio (lat 23° 8'38.48"S e
long 68° 3'14.48"O) que adentrava pelo deserto com uma placa onde
estava escrito “Valle de Puques” e como o Mural é de AVENTURAS, fomos logo
convocados por Elson para desbravar aquele caminho. Adentramos uns 5 km pela
estrada de terra, às vezes pedalando pela estrada às vezes pedalando fora dela,
pois tinha trechos com muita areia. Esta estrada nos levou a um local onde
podemos observar uma espécie de oásis abandonado com muitas arvores, ruínas de
casas e também um sistema de aquedutos para trazer água ate o local. Perto dali
tinha também uma carcaça de camionete abandonada (23° 7'49.54"S e 68° 1'21.19"O ) onde tiramos foto e
podemos observar que devido talvez a pouca umidade do deserto a chaparia da
mesma estava isenta de ferrugem. Pelo Google Earth este local é bastante
visível e teremos a noção do local. Pedalamos mais alguns metros pelo deserto
até o ponto (23° 7'43.49"S e 68°
1'14.81"O ) de onde podemos sacar varias fotos inclusive do vulcão
Licancabur, visível de quase todos os pontos do Atacama devido a sua grande
altitude (5.916mts).
Voltamos para a Ruta 23 e após uns
4 km encontramos um bosque de tamarugos que são arvores nativas da zona norte
do Chile que correspondem a uma das espécies endêmicas mais importantes do
ecosistema desértico do norte do Chile e conseguem sobreviver em um dos lugares
mais inóspitos do planeta como o deserto do Atacama.
Como o sol estava bem quente
resolvemos entrar na sombras destes tamarugos para fazer uma pequena parada ,
ai podemos notar a grande quantidade de espinhos que estas arvores derrubam no
chão e poderiam furar os pneus, então com o maior cuidado voltamos e
estacionamos as mesmas num lugar mais apropriados e retiramos os espinhos cravados
nos pneus que felizmente não chegaram a furá-los.
Voltando a ruta 23 seguimos nosso
destino e estávamos pedalando em fila indiana pelo asfalto quando de repente
observamos a nossa esquerda do outro lado da pista uma ciclista que tinha
parado a sua bike e estava nos fotografando. Paramos e fomos conversar. Ela era
chilena, estava de férias pedalando pelo Atacama e escrevendo artigos de
cicloturismo para o site www.bikemontt.com e estava indo para a Laguna César
que seria nosso destino do dia seguinte.
Chegamos em San Pedro por volta
das 16:50 e como não somos de ferro, fomos logo procurar um local com aquela
cerveja gelada para refrescar a garganta e molhar as palavras. Como bons
navegadores encontramos rapidinho, na praça central de San Pedro onde degustamos
varias cervejas Cristal, para encerrar a jornada em grande estilo. Até a
próxima, Mauro.
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