Depois de sete dias de muitas aventuras no Atacama,
imaginava que já havíamos feito de tudo. Estava completamente enganado. Na
noite anterior, ao andarmos pelas ruas geladas de São Pedro, entramos na
Agência de Turismo de Aventura Vulcano, procurávamos algo especial para
encerrar com “chave de ouro” a nossa expedição em terras chilenas. Sendo assim,
foi apresentado um desafio que iria superar tudo que já tinha feito em minha
vida.
A aventura seria era subir o Vulcão Lascar, uma enorme
montanha de 5.600 metros de altitude, coberta de neve que expelia fumaça. Ou
seja, um vulcão ativo.
Acordamos bem cedo, arrumamos as bikes na van e partimos em
direção ao grande desafio. Levamos também as bikes, pois após a escalada ao
vulcão, também tínhamos e intenção de fazer um downhill até a vila de Socaire.
Para chegarmos a base do Lascar, já foi uma verdadeira
aventura. Ele fica distante e é preciso atravessar muitos quilômetros de vales cobertos
de neve, gelo e pedras. Por diversas vezes o carro teve que engatar o 4x4.
Imaginava que a qualquer momento poderíamos dar adeus a escalada devido a uma quebra
do carro ou bloqueio da estrada que em vários momentos sumia por debaixo da
neve.
Paramos para o café da manhã à beira de uma lagoa altiplanica,
era linda! O lugar era maravilhoso e ao mesmo tempo inóspito, estávamos a mais
de 4.000metros e o frio incomodava, já era possível ver no horizonte e no alto
a fumaça que saia do vulcão, naquele momento pensei que já tinha valido a pena,
mas ainda faltava a maior e o mais duro desafio, subir o Lascar.
Colocamos mais roupas de frio, emprestadas pelo nosso guia
Cristian, e começamos a escalada. A orientação que tínhamos recebido é que
deveríamos caminhar lentamente, em passos curtos. Logo pude perceber o motivo,
a qualquer movimento mais brusco, sentia o coração acelerar e um grande cansaço
acompanhado de falta de ar.
Quanto mais subíamos, mais os efeitos da altitude
aumentavam, além do frio e da inclinação. Pude perceber que Cristian não
conseguia acompanhar nosso ritmo e cada vez mais ficava distante. Ele estava
gripado, e sentia ainda mais os efeitos da altitude. Pelo radio, mantivemos
contato, era o fim da aventura para ele. O mesmo passou a orientação que devíamos
seguir a trilha para chegarmos ao cume e assim continuamos a escalada sem guia.
Após aproximadamente uma hora de subida, a van era apenas um
ponto vermelho distante na paisagem e Cristian quase não mais enxergávamos, o
rádio com ele passou a falhar. Assim como no primeiro dia da Expedição, voltei
a sentir uma leve dor de cabeça, mais um dos efeitos da nossa situação extrema.
Após aproximadamente uma hora de subida, a van era apenas um
ponto vermelho distante na paisagem e Cristian quase não mais enxergávamos, o
rádio com ele passou a falhar. Assim como no primeiro dia da Expedição, voltei
a sentir uma leve dor de cabeça, mais um dos efeitos da nossa situação extrema.
Também comecei a ficar preocupado com Rei, estava muito
devagar, parava mais vezes e tínhamos que esperá-lo. Peguei a câmera e comecei
a fazer vários vídeos e fotos para tentar registrar sua superação.
Algo interessante passou a ocorrer. Como um pacto de
silêncio, e sem nenhum tipo de acordo prévio, ao vermos a situação de Rei,
ninguém o incentivava a continuar ou desistir, apesar de preocupados com a sua
integridade física. Sabíamos que essa era uma decisão que ele deveria tomar,
apenas esperávamos e continuávamos a escalada após sua aproximação.
Subíamos e a cada momento mais elementos e dificuldades
apareciam, como o aumento do frio (pés e mãos congelando), o cheiro de enxofre
que saía do vulcão e a fadiga muscular. Com o ar rarefeito, o corpo tem
dificuldade de oxigenar os músculos e a possibilidade de ocorrência câimbras
torna-se alta.
Era também impressionante a paisagem, difícil de descrever,
só estando ali para entender a dimensão do lugar, ficamos bem pequenos diante
daquelas grandes montanhas e vales nevados. Facilmente perde-se a noção de
distância. Espetacular!
Estávamos bem perto do topo quando paramos para o último
descanso, sentia que faltava pouco para alcançar o nosso objetivo, a emoção
pela conquista próxima me envolvia, enquanto tentava não perder o foco para que
nada mais pudesse dar errado. Depois de tudo que tínhamos passado, não existia
mais a possibilidade de desistências, sabia que a partir dali qualquer um daria
tudo para concluir o desafio.
Os últimos metros foram angustiantes, a fumaça parecia perto,
mas tivemos que andar uma boa distância para finalmente chegarmos à borda da
cratera. Ao chegar, fiquei alguns minutos tentando primeiro tomar fôlego para
depois apreciar o momento. Senti medo de chegar mais perto para ver a fumaça que
saia de dentro do grande buraco, era muito alto e ventava. Estiquei o braço
para filmar, mas era difícil.
Os últimos metros foram angustiantes, a fumaça parecia perto,
mas tivemos que andar uma boa distância para finalmente chegarmos à borda da
cratera. Ao chegar, fiquei alguns minutos tentando primeiro tomar fôlego para
depois apreciar o momento. Senti medo de chegar mais perto para ver a fumaça que
saia de dentro do grande buraco, era muito alto e ventava. Estiquei o braço
para filmar, mas era difícil.
Fui tomado por uma grande emoção, uma mistura de felicidade,
saudade e outros sentimentos que não consigo explicar. Ao ver meus companheiros
Expedicionários todos juntos, cada um com suas histórias de vida, mas ao mesmo
tempo curtindo a conquista de seu modo, lembrei mais uma vez que éramos iguais por
sermos doidos e apaixonados por aventuras e desafios! Nós abraçamos emocionados,
nesse momento recebi o carinho e palavras de reconhecimento pelo trabalho
desempenhado pelo Mural de Aventuras. Um momento mágico, inesquecível!
O retorno foi bem mais rápido, para descer todo santo ajuda,
apesar do perigo de escorregar em uma pedra ou mesmo na neve. Fiquei sabendo de
um relato de Cristian em que falou que nós fomos o primeiro grupo de muitos que
todos integrantes chegaram ao topo, sempre havia uma ou mais desistências
durante o caminho. Acredito que foi o espírito de grupo do Mural que fez isso possível
e a festa não seria completa se todos não tivessem chegado lá.
A missão estava cumprida, depois de tudo que tínhamos
passado durante aquele dia, nem mais pensávamos em pegar as bikes, a Expedição no
Deserto do Atacama chegava ao fim com muito sucesso e já no retorno dentro da
van, apesar de todos eufóricos, um pingo de nostalgia me bateu. Passei a
lembrar dos momentos que tínhamos vivido no Atacama e senti que cada esforço
durante aqueles últimos oito dias tinham sido muito bem recompensados.
Aproveito para agradecer aos irmãos expedicionários Luiz,
Marcelo, Maurão e Rei e a todas as outras pessoas, com destaque especial a
minha esposa Rosania, que contribuíram e apoiaram a realização de mais essa
Expedição.
Um grande abraço. Bora Mural! Elson.
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