Não vou começar essa resenha com
aquela conversa de não dormir de ansiedade pensando na trilha e blá, blá, blá...
Na verdade não dormimos por estarmos realizando uma super aventura: fazendo a
trilha!!! Sexta-feira enquanto muitas pessoas se arrumam e se preparam para
curtir a night, alguns malucos do
Mural de Aventuras se preparam para pedalar até o amanhecer. Meu Deus! Só de
pensar nisso dá um frio na barriga... Mas vamos lá:
CORUJÃO 9: A NOITE É UMA AVENTURA!
Salvador 19 de abril de 2013,
chove muito a 3 dias, mas no calendário do Mural a Trilha do Corujão 9 esta
marcada há pelo menos 3 meses. Com tudo arrumado pra trilha deste o dia
anterior eu não me deixei amedrontar com tanta chuva, pois estava ansioso pra
fazer um corujão há muito tempo. Convidei Daniel um grande amigo meu e futuro
muralista para me acompanhar nessa aventura. Passei pra pegar ele debaixo de
muita chuva, mas com a certeza de que a trilha ia rolar, pois o Mural não
mudaria o calendário devido a chuva, e que só iria conceder mais Emoção para esse
Desafio. Liguei pra Elsão pra avisar que iria com Lua ou debaixo de chuva. Ô chuva
que não parava....
Chegando ao lugar e hora
marcada... ninguém... “será que estamos
no lugar certo?!” perguntei a Daniel. E logo chegaram Elsão e Malandra.
Esperamos a tolerância e ninguém mais apareceu então... Partiu!! Somente nós
quatro e a belíssima Lua, que brilhava junto com as estrelas no céu sem uma
nuvem, para surpresa de todos. Espero que todos tenham a certeza do que ficou
provado nessa trilha: SÃO PEDRO É MURALISTA!!!!
Começamos a trilha por Monte
Gordo num estradão massa, com um terreno macio de areia molhada e alguns trechos
bem encharcados com areia movediça, indicando que apesar céu esta estrelado
tinha chovido muito na região recentemente. A adrenalina e a ansiedade eram os
sentimentos que dominavam, afinal estávamos entrando numa trilha que eu
desconhecia, a noite, com somente 4 pessoas (BORAAAAA MUUURAAALLLL). Ainda no
inicio Elsão orientou a zerarmos o hodômetro, foi então que percebemos que
ninguém havia levado o velo ciclo, trilha com pouca gente da nisso, às vezes
falta algumas coisas.
Seguimos nesse estradão até a barragem Santa
Helena, onde na presença da Lua fizemos a 1ª seção de fotos. Cerca de 10mim
depois, por volta das 23h retornamos para o estradão num ritmo forte, com
algumas boas subidas e descidas. Paramos muito pouco, afinal trilha com somente
4 pessoas as chances de quebrar ou furar pneu são bem menores. Depois de 1,5h
pedalando fizemos uma parada rápida para alimentação.
Então todos alimentados, voltamos
para o estradão mantendo o mesmo ritmo com as lanternas ligadas, afinal a lua
já tinha se escondido, ai sim a noite ficou realmente muito escura. Seguimos na
trilha com muitas poças de lama já num terreno mais duro até o Rio Pojuca.
Chegando à beira do Rio Pojuca,
já por volta de 1h30mim da madrugada, Elsão não contou conversa, colocou a bike
no ombro e entrou na água gelada e foi atravessando o rio (BORAAAAA
MUUURAAALLLL). Num escuro onde só víamos o foco da lanterna e ter que
atravessar o rio sem saber e muito menos ver onde estamos pisando foi
preocupante e amedrontador. Mas encaramos, afinal a Emoção do Mural está nos
Desafios. (BORAAAAA MUUURAAALLLL)
Do outro lado do Rio, já na
Reserva da Sapiranga, mais uma parada. Essa uma pouco mais demorada, pois pela
programação de Elsão estávamos bem adiantados. Parada necessária para alimentar
novamente, curtimos o céu estrelado como em nenhum outro lugar. Nesse momento o
corpo já sentia algumas fadigas, e o sono já pesava, mas vamos lá que ainda
temos pelo menos mais 40Km pela frente.
Os single-track na Sapiranga são únicos à noite então.... Coisa de
louco... muito, mais muito escuro de não ver um palmo a frente (BORAAAAA
MUUURAAALLLL), para enxergar alguma coisa só se estivesse no foco da lanterna.
Para fazer uma trilha dessa só o Mural mesmo. Em alguns momentos fiquei por último
na fila nos single e quando olhava
por lado que não via nada, absolutamente nada, pois a lanterna estava no guidão,
batia aquele desespero para colar logo no grupo e não ficar pra trás. Quem
quiser ter noção da escuridão que passamos é só fechar os olhos.
Percorremos boa parte da
Sapiranga de uma forma que nunca imaginei, uma sensação extraordinária e muito
difícil de expressar (muito louco e muito
massa). Depois de mais uma parada para alimentação, seção de fotos e
bate-papo na Gamboa, seguimos para o final da Sapiranga pegando a estrada. E
Elsão falado que ainda teríamos uma surpresa (meu Deus o que será que ainda vem
por ai?! já são 4 horas da manhã, eu sem dormir, pedalando feito um doido em
todo tipo de lugar, atravessando rio sem ver nada na minha frente numa
escuridão de amedrontar até vagalume e o cara dizendo que ainda teríamos
supressa, dava até um frio na barriga). (BORAAAAA MUUURAAALLLL)
Entramos em Itacimirim e eu num
suspense para saber o que seria a surpresa, imaginando ser para atravessar um
lago ou pegar mais uma daquelas subidas que nem de dia da pra ver o final
imagine na escuridão.... Para meu alívio e surpresa o gran finale da trilha era ver o Sol nascendo da praia da Espera.
Que maravilha!! O ruim é que ainda faltava quase 1 hora para o astro rei raiar.
Momento bom para relaxarmos um pouco... primeira coisa que fiz foi tirar a meia
que estava molhada deste a travessia do Rio Pojuca... deitei na areia para
apreciar as estrelas enquanto o sol nascia e ai... Apaguei! O sono e o frio da
brisa do mar tomava conta de todos nós... Acordei com uma cãibra nas pernas e o
sol nascendo no horizonte em meio algumas nuvens. Nesse momento, Elsão já estava
fazendo mais uma seção de fotos.
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