Terceiro dia de expedição começando... Depois de
um dia muito desgastante de pedal no dia anterior, tivemos uma boa noite de
sono na Pousada Pucci em Monte Verde/MG.
Monte Verde é conhecida como a “Suíça
Brasileira”, repleta de restaurantes, muito frio e chocolate quente! Com um
clima tão bom pra dormir, acordamos tarde, também pudera, o café apenas era
servido a partir das nove da manhã! E que café!!! Logo, a primeira resenha:
Herrera foi secar a luva North Face de centos reais na lareira e acabou
queimando a mesma... tentou tapar o rombo com fita isolante e lamentou o resto
do pedal inteiro. Ele ainda queimaria outras coisas nos dias a se seguir.
Saímos por volta das 10h30min da pousada e fomos
cortando a cidade para pegar uma das melhores trilhas da expedição! Antes que
pudéssemos entrar na trilha, conhecemos um campeão brasileiro de mountain bike,
ZELITO! Estávamos passando quando ele estava colocando umas bikes pra fora de
sua loja “Lito Bikes” aluguel e passeio de bicicletas. Ele se empolgou muito
com a gente, perguntou de onde vínhamos, pra onde íamos, se animou e disse que
iria nos guiar até certo ponto do caminho. Foi pra dentro da loja, se trocou em
trinta segundo, pegou uma bike amarela memorável e nos guiou até certa altura
da trilha.
Nosso destino era Campos do Jordão, em São Paulo,
e a aventura começou em meio a uma reserva linda com muitas araucárias, muitas
descidas e, como de costume durante toda a expedição, muuuuuuuuuuuuuitas
subidas! Passamos por uns quatro Haras, todos muito bonitos e aparentemente
luxuosos em meio à serra onde ninguém parecia habitar. Num certo ponto do
percurso, o GPS indicava que a trilha continuaria para a direita, mas o
empregado num Haras indicou que deveríamos ir reto. E foi o que fizemos! Não
sabemos o que teria acontecido se tivéssemos seguido o GPS e virado à direita
para subir uma (quase) parede à nossa frente, mas foi muito bom ter seguido a
trilha à frente, porque pegamos muito single track no meio da mata, e
finalmente... ficamos perdidos!!!
Tentamos alcançar o ponto do GPS pegando outro
caminho à frente, mas nos deparamos com um vale enorme que despenderia muita
energia atravessar com as bikes nos braços e ainda teria o rio pra atravessar.
Optamos por seguir pelo single track com a esperança de alcançar novamente a
trilha do GPS em algum ponto, e era o que aconteceria. Passamos uma bela
floresta de araucárias e depois encontramos o rio, mas um ponto bem tranquilo
pra atravessar. Herrera e Renato fizeram algo que deveria ser uma ponte mas que
se resumia num pedaço de pau lançado no meio do riacho para que pudéssemos
atravessar sem pisar dentro d’água. Depois de muito subir, finalmente pegamos
alguns quilômetros de descida alucinante!!!
Chegamos no Paiol, um bairro de Sapucaí Mirim/MG,
por volta das três da tarde com muita fome. Foi logo ordenada uma farofa de ovo
com a qual alguns dos Muralistas mataram a fome e outros se saciaram com o
sanduíche do café da manhã, que foi meu caso!
Já quase quatro e meia da tarde, depois de
colarmos o adesivo “Mural passou aqui”, seguimos caminho sob a doce ilusão de
que seriam só descidas até Sapucaí Mirim. Subimos bastante, mas tivemos algumas
das vistas mais lindas do percurso, com vales que não tinham fim ao longo do
horizonte. Finalmente, começamos a descer, e descemos incontáveis quilômetros
com algumas paradas no percurso para descansar as mãos e as pernas devido à
tensão da descida que parecia invencível. De repente, começamos a avistar meio
urbano, passamos por algumas pessoas e estávamos entrando em Sapucaí Mirim, uma
cidadezinha de Minas Gerais já na divisa com São Paulo que fazia muito frio e
tem pessoas acolhedoras.
Apesar da expectativa inicial de chegar logo a
Campos do Jordão, quando chegamos em Sapucaí Mirim eram quase seis da tarde e
ainda faltavam uns vinte e seis quilômetros até lá, com muita subida, aliás,
praticamente uma subida única que conheceríamos no dia seguinte. Em razão
disso, preferimos ficar em Sapucaí Mirim/MG para nos poupar, descansar e
recuperar as energias. Foram sessenta quilômetros e uns mil e quinhentos metros
de elevação, muito sofridoooooo!!! Ficamos numa pousada simples, mas que nos
proporcionou boa noite de descanso e nos deu forças para seguir adiante no dia
seguinte!!! Luiz.
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