7º Dia - Expedição Chapada dos Veadeiros (Cavalvante - Cachoeira de Santa Bárbara e Capivara - Cavalcante)

Posso começar esta resenha com a seguinte frase. Um dia especial ! Estávamos prestes a conhecer o povo Kalunga e suas terras, bem como, a fantástica cachoeira de Santa Bárbara dentro da reserva quilombola. Iniciamos o dia bem cedinho como de praxe. Finalmente tínhamos dormido em camas sob o teto de uma pousada, bem simples, mas diante das circunstancias dos últimos dois dias, com dormidas em barracas, alimentação e descansos irregulares, parecia mais hotel cinco estrelas. Após um café da manhã (bem) reforçado, rápido alongamento e agrupamento para a foto de saída, partirmos com nossas bikes para cumprir nossa sétima missão: Cachoeira de Santa Bárbara. Confesso que subestimei um pouco esse pedal achando que seria do tipo passeio, até mesmo porque, as bagagens ficariam na pousada e as bikes 15kg mais leves, pois essa incursão era do tipo bate e volta, sem necessidade assim de carregar os alforjes. Acontece galera que à nossa frente tínhamos o vão do moleque mais uma vez, e tínhamos de vencê-lo duas vezes, já que o pedal seria ida e volta ao mesmo lugar, ou seja: Cavalcante – Santa Barbara - Cavalcante. Aos poucos, com o avançar dos quilômetros o grupo ia se dando conta do que vinha pela frente. Depois de um longo estradão alcançamos o pé da serra do vão do moleque que imediatamente nos impôs uma senhora subida exigindo muito esforço dos expedicionários que só pararam para me ajudar com uma câmara estourada em plena ladeira. Feito o reparo, continuamos subindo, subindo, até que quase no topo paramos para tirar fotos. Após os retratos continuamos a escalada passando inclusive por uma rampa de asa delta, vejam só como estávamos alto ! Posso afirmar que pedalamos sobre as montanhas ! Pouco tempo depois começamos a descer já em direção aos Kalungas. Ai algo interessante começou a acontecer com a paisagem que ia mudando. A vegetação estava mais esparsa, o piso que antes tinha muito pó e cor de barro começou a ficar branquinho, com cristais sobre ele. De repente, adentramos em um lugar mágico que logo nos envolveu com um bom sentimento de estarmos sendo acolhidos. Era a vila dos Kalungas, pequenas casas de alvenaria afastadas umas das outras com cabanas de palhas ao fundo. Alguns metro depois da entrada encontramos o local da recepção. Uma pequena casa bem simples onde contratamos o guia e pagamos nosso pedágio no valor de R$ 100,00. Logo o Elson sem muita pretensão disse que queria um guia ciclista, não é que tinha um? O Valdivino, grande figura, como disse Piau, mais um guia amigo. A sua esposa nos ofereceu o almoço típico dos Kalungas que logo aceitamos a sugestão e deixamos já reservado para a volta. Montamos novamente nas bikes e fomos atrás do Valdivino, que apesar de estar com uma bike do tipo “supermercado” e de sandália havaiana, estava empolgado e mandando ver no giro, até que Elson e Piau resolveram botar o coitado pra cansar.. rsrsr. Para chegar na primeira cachoeira deste dia, a Santa Barbara, passamos por alguns córregos com águas absolutamente transparentes, também, pelas pequenas trilhas, encontramos água brotando do chão seco e árido, sem falar do forte sol que castigava a todos. Deixamos as bikes para um trekking até a Santa Barbara. Visão incrível ! Cachoeira de água cristalina, cor de esmeralda e beleza inenarrável que conseguiu nos deixar sem palavras por alguns instantes. Fica incrustada em uma clareira cercada por uma mata fechada, digna de fábulas cinematográficas. Ai eu entendi porque tanta gente falava desta cachoeira. O banho foi certo, assim como as fotos e filmagens subaquáticas. Era o nosso recreio. A cachoeira era maravilhosa mas sem demora partimos, pois o dia era curto e a nossa missão longa. Precisávamos ainda conhecer a cachoeira da Capivara, almoçar, descansar e retornar à Cavalcante. Posso garantir que a Capivara também nos rendeu ótimas fotos e um banho demorado, sem falar na contemplação do grande cânion que tinha logo a baixo. Registro a grande tragédia da viagem – Piau foi apagar uma foto e formatou a máquina digital dele com quase mil arquivos fotográficos... o cara quase chora, ficou inconsolável... mas depois, bola pra frente !! Em seguida, o grande momento - O almoço kalunga ! Pensem ai numa galera com fome .. A simpática senhora que cozinhou nossa refeição (feijão, arroz integral, cortado de abóbora, carne com mandioquinha e frango de ensopado à moda Kalunga) nos levou ao fogão de barro, onde nos servimos várias vezes !! Delícia de comida totalmente natural, acompanhada ainda de suco de maracujá e abacaxi nativo. Para mim, a melhor refeição da viagem. Depois do almoço deitamos nos bancos, nas redes e conversamos um pouco. Tentei saber um pouco da história do quilombola, mas o guia, para minha frustração, não me disse muita coisa.. Em pesquisa na internet para escrever esta resenha, descobri que é o quilombola mais antigo do Brasil, com mais de vinte comunidades distribuídas em quatro os núcleos: Vão de Almas, Vão do Moleque, Ribeirão dos Bois e Contenda. Hoje, os egressos dos quilombolas vivem em comunidades em território tombado e demarcado pelo Governo do Estado de Goiás e titulado pelo Governo Federal. Além de Cavalcante, o território Kalunga se estende também para municípios vizinhos de Monte Alegre e Teresina de Goiás. Ainda hoje, é possível observar na população de Cavalcante pessoas com traços de seus antepassados, os escravos. Pois bem. Neste dia também tivemos a estréia de mais um dispositivo-sensação da expedição, apresentado desta vez por Piau: O adaptador de capacete para Câmera fotográfica e filmagens, que logo seria estreado. Como já era de tarde, partimos, logo depois de um rápido descanso, de volta à Cavalcante, pois precisávamos da luz do sol para filmar o downhill na descida da serra do vão do moleque. Meus amigos, esse povo do Mural de Aventuras pedalou feito maluco, fiquei com a comida quase voltando pela boca e a galera mandando ver no pedal pra dar tempo da filmagem. Em fim, graças a Deus, chegamos ao topo da serra. Dispositivo preso, filmadora disparada começamos a maravilhosa descida. Muita curva, poeira e gritaria da galera que não acreditava no que estava acontecendo. Confiem, meu velo marcou 66km/h em plena descida do estradão! Depois de uns 15 minutos paramos para nos confraternizar novamente, desarmar o dispositivo. Voltamos para a cidade realizados, tivemos inclusive a cortesia de um cavalcanteano que pagou a lavagem das nossas bikes no lava jato quando contamos a nossa aventura! Obrigado Goiás! Obrigado chapada dos Veadeiros! Obrigado Mural de Aventuras! Abraços Elson, Piau, Nanal, Popó, Fernandes meus irmão expedicionários!! Foi uma grande satisfação acompanhá-los nesta fabulosa e inesquecível aventura que certamente contarei para meus filhos! Até a próxima! JP – Advogado e Ciclista MTB.
VEJA OS VÍDEOS ABAIXO


8min. de downhill do Vão do Muleque


Cachoeira de Santa Bárbara


Entrada da Cachoeira de Santa Bárbara


Cachoeiras


Cachoeira da Capivara


Almoço na Comunidade Calunga


Descanço após almoço

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR






























































7 comentários:

Ricardo Popó disse...

AMIZADE,emoção,alegria, satisfação, sentimentos que nos leva a todos os dias desta expedição,fantastico.

Marco Vinycios disse...

As fotos ficaram muito bonitas e com certeza devem ter sido momentos maravilhosos. Galera no último pedal no CTM (o de quinta) Maurão sugeriu um pedal na ilha de itaparica e aí vamos fazer?

welseman disse...

Parabéns guerreiros do Mural. Me orgulho de ter pedalado com vocês pelos Chapadões de Goiás. Abraços!!!

Piau disse...

Muito bom resenhar sobre essa maravilha em Jota???
Muita coisa vivida em galera???Ainda mais quando somos surpreendidos com as pessoas e com as belezas da natureza como fomos!!!
Expedição é aprendizado de vida "puro"...
Nunca configure camera na trilha, é vacilo,kkkkk!!!
Jota valeu pela força, vc bem viu meu semblante,kkkk!!!
AAAAAAAAA MULEEEQUE,KKKKKKKKKK!!!

Abração.

JP disse...

Piau meu broder, escrever sobre essa maravilhosa expedição é fácil demais, tudo de bom ! Cada dia, um aprendizado novo ! A cada pedal a natureza se mostrava cada vez mais exuberante. Acredito que a cachoeira de Sta Bárbara foi o apice do capricho da natureza quando criou aquele lugar !! Meus irmãoes expedicionários, espero com ansiedade a volta deste grupo à nova expedição de 2011. Que venham os novos integrantes com o mesmo espírito guerreiro e solidário que carregamos com agente. Abraços, Piau, Elson, Nanal, Fernandes, Popó !!

Marcus Rocha disse...

Bela resenha JP!!!

Olhando as fotos, são belas imagens, paisagens maravilhosas, como foram todos os dias desta expedição aqui postadas...

devem ter sido momentos fantásticos com certeza...!

DVD está digno de q foi uma aventura sensacional e de aparecer em programas de esportes A NÍVEL NACIONAL!!

mas com certeza vcs tiveram momentos ultra complicados e difíceis, e por terem completado esta expedição, representando bem a Bahia, parabenizo a todos os expedicionários, tenho muito respeito por vcs!

abração a todos

Marcão!

JP disse...

Obrigado Marcão ! Espero que esteja com agente na próxima Expedição de 2011 !