Desde quando me tornei Muralista em 2013, almejava fazer uma
trilha com o Mural de Aventuras em Ipirá, terra da minha esposa. Assim sendo, solicitei
a Elson que visse a possibilidade de colocar essa trilha no calendário desse
ano, o que ele concedeu. Chegado o dia partimos: eu, Cerqueira, Elson, Paulo
Bronw (Kichute), Odilardo (Ôdi) e Sergio (Serjão). Dois desistiram por motivos
pessoais, e Cerqueira mesmo com a costela quebrada e contraindicação médica,
foi, o cara é guerreiro!!!
Já tinha pedalado com o pessoal local, e haviam me dito que
tinha uma trilha de 65 km que era o bicho!!! Fiz contato com Haroldo, biker
local, lenda viva do ciclismo baiano, que no primeiro contato falou que havia
chovido muito na região, as trilhas estavam fechadas e que essa trilha de 65
km, havia sido encurtada para uns 40 km, eu aí... gelei. Mas me lembrei que
tinha uma carta na manga que poderia usar para chegarmos aos 65 km.
Sábado de manhã nos encontramos com Haroldo, na Praça Roberto
Cintra, fizemos a tradicional foto com bandeira defronte à igreja e seguimos
para a trilha.
De início pegamos um single track que margeia a Estrada do
Feijão, que se não faz muita graça por não ser no meio do mato, também não
deixa a desejar porque é bastante técnico para subir ou descer. Por estradão chegamos
ao povoado do Pau Ferro. Dali seguimos para a Mata da Caboronga, onde pudemos
observar de longe, um Jequitibá que segundo Haroldo, são necessárias 8 pessoas
para dar um abraço.
Visitamos a sede de uma ONG que está atuando para a revitalização
da Mata da Caboronga que hoje está restrita a terrenos esparsos, desapegados em
cabeços de morros. Na sede da ONG fizeram uma bela casa na árvore, onde
qualquer um de nós passaria férias.
Daí partimos para um alpinismo (o MTB tem disso) e quando chegamos
ao alto do morro, tomamos conhecimento que muita gente boa já tinha estado ali,
mas tinha desistido de prosseguir em razão da altura, mas o Mural, é o Mural, e
como toda boa subida, garante uma excelente descida, fizemos um down hill o
bicho, onde o silencio da mata foi rompido pelos gritos de “Bora Mural PORRA”!!!
Pedalando por um estradão, de passagem na porta de uma casa,
tivemos uma demonstração de uma coisa que arrepia pedalando no sertão:
cachorro. Teve um que deu uma carreia em Ôdi, que ele assegura ter contou 100
dentes na boca do cãozinho. Mas a coisa foi feia mesmo, porque o bicho chegou
de mansinho, e quando avançou, foi mostrando canino, por canino, e aí... haja
perna.
Prosseguimos por single tracks com mata fechada, belas
paisagens, porém, mais a frente, pudemos testemunhar o que já sabíamos, que em
razão das chuvas as trilhas de fato estavam fechadas. Tivemos que fazer meia
volta de um ponto onde estávamos em uma localidade na Mata da Caboronga. Assim
que Serjão soube que nessa trilha não poderíamos prosseguir, se benzeu e
agradeceu a Deus pelo nosso retorno.
Foi aí que Haroldo falou, “agora vamos seguir para a
catinga”. O verde da mata é uma coisa linda, mas na caatinga é que tem o
espinho, o sol arde, e aí que o bicho pega. Pedalando pela caatinga, veio a
ideia de beber algo e fomos comer Tilápia no Bar de Seu Francisco, bebendo
Tubaína Ki-Sabor (para matar a saudade) e cervejas não tão bem geladas.
Conta paga, PARTIU!!! E continuamos pela caatinga, mas dois
pneus começaram a acusar problemas, o de Elson e o de Haroldo. Daí encurtamos o
trajeto e chegamos a Ipirá, mas nos demos conta que não havia como consertar o
furo lateral de Elson e Haroldo também estava querendo parar porque se
recuperava de uma Chicungunha.
Prosseguimos, portanto: eu, Cerqueira, Kichute e Ôdi. Serjão
ficou fazendo companhia a Elson. E aí eu coloquei na mesa a minha carta na
manga. Subimos um morro, onde fizemos 12 km, com 700 metros de altimetria, para
lá de depois do morro das antenas. Sabe aquele morro alto, onde se colocam as
antenas de TV e telefonia da cidade? Pois bem, o que fomos era muito mais alto.
Iniciamos a subida e minha verdadeira intenção era fazer em
uma pernada só, porém haviam cancelas a serem abertas e fechadas na passagem. Eis
que, no meio dessa subida apareceram dois cachorros sarados, eu quase desistia,
pensava que fosse cão de caçador, mas de pouco a pouco fomos empurrando as
bikes, passamos os cachorros e seguimos. Já sabia que a vista lá de cima era
estupenda e valia a pena o esforço. Chegamos a um local, que não era exatamente
onde eu queria ir, mas de qualquer jeito a vista foi compensadora. Fizemos as
tradicionais fotos e iniciamos a descida. A descida foi rápida, na próxima
vamos deixar todas as cancelas abertas, para fazer a descida non stop.
E assim foi a primeira trilha em Ipirá, 2016 tem mais galera.
Também rolou um churrasco de carneiro, fígado com redén, costelinha e pernil ao
vinho.
Eu me sinto realizado por ter proporcionado um belo pedal aos
meus companheiros e ter ouvido de todos que o pedal foi “show”, “1000 “ e
etc.
A avaliação de Elson e Serjão é que a trilha de Ipirá tem um
misto de: trilha da Copa Mosso em Feira de Santana, Serra da Jiboia e Sátiro
Dias, ou seja, emoção a toda prova.
Quem quiser colar em 2016, cole, porque eu já estou inscrito,
mas vá com seu bom pneu e seu no tube em dia, porque a brincadeira pode acabar
mais cedo e aí você perde a cereja do bolo.
Vlw galera!!! Até a próxima aventura, deixando um
agradecimento especial ao biker local Haroldo e a família de minha esposa que
muito bem nos acolheu!!! Marcelo Rodrigues.
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5 comentários:
Marcelo, agradecemos muito o seu empenho em tornar realidade essa aventura. Foi tudo perfeito! A trilha realmente é uma mistura da Trilha em Feira de Santana, Sátiro Dias e Serra da Jiboia, superou as expectativas! A resenha também está ótima!
Se Deus quiser em 2016 voltaremos para mais uma aventura em Ipirá.
Bora Mural!!!
Belas fotos Marcelo, o local parece ser muito bonito mesmo. Ano que vem pretendo participar também.
Bora Mural
Valeu Marcelão!! Obrigado novamente pela recepção e só corrigindo o cachorro tinha 101 dentes kkkkkk
Top, Marcelão! Muito legal conhecer aquela Reserva Florestal (Caboronga) perdida no meio do sertão! A inédita trilha de Ipirá foi massa ! Idem a sua carta na manga (subida da fazenda) e o churrasco de carneiro.
Obrigado pessoal!!! Em 2016 vai ser ainda melhor. Tenho outras cartas na manga e carneiros na engorda.
O pessoal de lá adorou as fotos e de ver lugares que não conhece, imaginem só!?!?
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