O planejamento do 6º dia de nossa Expedição pelo Jalapão
mostrava que teríamos uma folga das bikes, mas isso não representava que seria menos
difícil. Muito pelo contrário, iríamos fazer nada menos que 30km de rafting, um
dia inteiro descendo as corredeiras do Rio do Sono.
Lembro que logo quando comecei a estudar o Jalapão, fiquei
encantado com ideia de fazer rafting, afinal, até o segundo dia da expedição,
quando fizemos no Rio Novo, nunca havia realizado uma aventura desse tipo. O rafting no Rio Novo só fez aumentar a
vontade de repetir, só que naquele dia no Rio do Sono seria muito mais longo o
que mostrava ser ainda mais especial.
Acordamos cedo e logo após tomarmos café na pousada, o
pessoal da Novaventura Rafting (http://www.novaventura.com.br/)
chegou com as caminhonetes para levar nossas bikes para o destino final do
rafting. Eu guardava uma surpresa para os demais Expedicionários que somente no
final do dia seria revelada, isso aumentava ainda mais a minha ansiedade para o
que irei ocorrer.
Mesmo sabendo que enfrentaríamos um dia inteiro de remo, ao
chegarmos às margens do rio havia uma animação geral, as muitas brincadeiras
deixavam a sensação que seria uma experiência incrível. Tivemos instruções de
técnicas de rafting e de procedimentos a serem usados durante a descida, e
antes de partirmos, fizemos a tradicional foto com todos de coletes salva-vidas
e remos erguidos. Bora Mural!!!
O Rio do Sono é mais raso do que o Novo, por isso a
preocupação torna-se maior em caso de queda na água. A descida revelava
momentos de intensa adrenalina nas corredeiras e outros de calmaria em trechos
chamados de remanso. Quando não estávamos agitados ficávamos contemplando a
natureza com sua rica fauna e flora. Após mais de uma hora de descida com
muitas corredeiras com quedas d`agua de grande emoção, os guias e instrutores
observando a nossa sede muralística por aventura, resolveram pegar uma peça em
nós. No meio de uma corredeira intensa, eles direcionaram os botes a um “caldeirão”
onde havia um redemoinho, de forma que a água da cachoeira entrava nas
embarcações, tornando difícil a nossa permanência dentro dos mesmos, balançava
tudo!!!
O meu foi o segundo bote a passar pelo caldeirão, mas não
ficamos presos, nesse momento pude perceber que alguns expedicionários do
primeiro bote já tinham sido jogados na água, a correnteza passou a levá-los,
mas logo conseguimos resgatá-los. Como o
meu bote não havia entrado com sucesso do “caldeirão”, Rei, Kadjon e Eu,
resolvemos voltar e passar pela experiência. Realmente foi sensacional, lembrou
aqueles “touros mecânicos” de parque de diversão, a correnteza balançava o bote
tão forte que em vários momentos quase chegou a virá-lo. Foi em um desses
sacolejos que Kadjon caiu na água e passou por debaixo de nós. Inesquecível a
sensação, uma verdadeira festa! Diversão garantida do jeito que agente gosta!
Rsrsrs. Vale ressaltar que foi provavelmente nesse caldeirão que Plech perdeu a
bandeira do Mural, isso seria lembrando pelo o resto da expedição como algo
inaceitável, rsrsrs, pelo menos o símbolo do Mural ficou em um dos rios mais
bonitos do Brasil e local de muitas aventuras!
Após mais de duas horas de rafting, a fome já apertava
quando chegamos a fazenda de Seu Hélio, localizada às margens do Rio do Sono e
conhecida pela “melhor comida do Jalapão”! Realmente não decepcionou, uma
delícia!!! O esquema é era do tipo “coma a vontade”, imagina só, após vários
dias de comida regrada na expedição, era a primeira vez que podíamos comer
muito bem durante a nossa aventura. Havia muitos turistas no local, a fazenda é
tida como ponto de apoio para as pessoas que vão conhecer as belezas do
Jalapão. O interessante é que, assim como em várias expedições que já fiz, as
pessoas passam a nos reconhecer por encontrar conosco em dias diferentes, em
outros locais turísticos ou mesmo por passar por nós nas estradas. Por diversas
vezes somos abordados com perguntas do tipo: “vocês estão vindo da onde?”, “são
vocês que estavam em tal lugar?”, “de onde vocês são?”, “para onde vão?”,... e
quando respondemos quase sempre a reação é de espanto. Essa relação com as
pessoas de certa forma traz um orgulho por aquilo que fazemos e reforça as
energias para seguirmos em frente.
Após um breve descanso, partimos para a segunda parte do
rafting, seriam mais de 15km, agora com uma parte maior de remanso o que
teríamos a necessidade de remarmos mais. Isso não quer dizer que foi menos
divertido, pelo contrário, entre uma corredeira e outra, passamos a brincar de
derrubar os outros dos botes. O mais desesperado com isso foi Nino, ele não
sabia nadar e a cada queda na água dava para perceber seu pavor, KKKKK. Kadjon
brincava se passando por um jacaré e dizendo “Nino eu vou te comer!!!”, pulava
de um bote para o outro e agarrava o pescoço de Nino se jogando juntamente com
ele na água. KKKK. Parecíamos crianças. Já eu quando caia na água não tinha
jeito de subir novamente sem que precisasse de ajuda, rsrsrs.
Os guias reservavam mais uma bela surpresa. Paramos os botes
na margem do rio e após poucos metros de caminhada por dentro do mato, chegamos
a um “fervedouro”, uma nascente de rio que surge por debaixo de uma camada de
areia fina e que forma uma “banheira” de água morna. A força da água não deixa
afundarmos e tem esse nome devido ao movimento que areia faz com o deslocamento
da água. Uma sensação indescritível ficar flutuando na água, duro foi depois
tirar a areia de dentro da roupa, mas valeu muito a pena! KKKK.
Começava a cair a tarde e ainda descíamos o rio, os 30km de
rafting estava perto do fim, me sentia muito satisfeito, feliz e ansioso em
mostrar logo a surpresa para os companheiros. Para quem me conhece sabe que
adoro guardar algumas informações somente comigo, acho que a surpresa causa um
impacto surpreendente nas pessoas e quase sempre valorizamos mais aquilo que
não estamos esperando.
Após dobrar uma curva, avistamos um quiosque na margem do
rio, o lugar era bastante agradável, nosso destino final e a surpresa tão
esperada, havíamos chegado ao Jalapão Eco Lodge (http://www.jalapaoecolodge.com.br/),
mas o que é isso? O Jalapão já fora muito divulgado como um “temível deserto”
para amantes do esporte de aventura. A paisagem do Jalapão é inspiradora de
desafios e descobertas que se desvinculam de uma percepção meramente agreste. O
Jalapão Ecolodge nasce justamente dessa descoberta que o ambiente local pulsa
biodiversidade e pureza de viver ao ar livre na imensidão de seus horizontes...
Um ecolodge...
Não é apenas uma pousada ou hotel fazenda como no dito
comum, Ecolodge implica essencialmente em adotar o ecossistema local para
protegê-lo através de um programa ambiental apoiado pelo ecoturismo... assim
antes de se constituir por um negócio é por uma causa ambiental... Buscando
respeitar o ambiente local e proporcionar conforto a hospedagem integrada às
características naturais do lugar, foram desenhadas instalações inspiradas na
Topofilia, no sentimento de valorização dos elementos nativos. Topofilia vem do
termo “topus” é uma palavra grega que significa “lugar”, enquanto “filo”
significa amor... ou apego ... Mais abaixo teremos mais elementos sobre o
Ecolodge.
Após desembarcamos e despedirmos dos guias, ainda faltava
aproximadamente 1km de caminhada. Foi emocionante ver as instalações do Ecolodge,
nem eu que havia pesquisado o lugar esperava tanto. Estávamos no paraíso!!!
Após vários 5 dias dormindo poucas horas em redes, no chão ou em pousadas
bastante simples, tínhamos chegado em um lugar muito bem estruturado com redário,
casa de banhos, cantina/restaurante e as tão curiosas “Buritibanas”.
Mas o que é buritibana? São cabanas construídas com uma
composição estrutural e arquitetônica de bambú, pindaíba, taboca e palha de
piaçava, sendo toda revestida com talo de buriti, daí vem o nome. Trata-se de
unidades de hospedagem elaboradas com exclusividade para o Ecolodge, numa
autoria de seus proprietários e execução com a mão-de-obra local. A partir daquele
momento e por dois dias seriam do MURAL!!!
Foram reservadas 4 buritibanas, cada uma composta por duas
camas de casais, ou seja, uma cama de casal para cada um!!! Plech, teve ainda o
privilégio de ficar sozinho em uma buritibana! Lembro dele dizer que ficou tão
emocionado que a noite pulou de uma cama para outra várias vezes, rsrsrs. O
Ecolodge estava vazio, apenas nós e os funcionários, o que fez ficarmos ainda
mais a vontade.
Pela primeira vez no Jalapão me sentia confortável, era uma sensação
maravilhosa! O Ecolodge era um oásis!
Marcamos o horário do jantar para mais tarde e cada um foi usar seu tempo livre
para fazer o que quisesse. Uns foram
tomar banho, outros foram arrumar as tralhas e aos poucos fomos encontrando no
restaurante. Começamos com cervejas e o tradicional brinde, puxei a garrafinha de
whisky, depois pediram uma garrafa de vinho e Odi lançou seu sound system!
Rsrs. Passamos a lembrar dos acontecimentos dos dias anteriores da expedição. Uma
noite muito agradável para ficar para sempre em nossas memórias.
Aventurar-se no Jalapão não como uma atividade de desafio
contra à natureza, mas uma aventura em que você deve fazer parte da mesma.
Entender suas dificuldades e se preparar para enfrenta-las, isso fará com que
tenha sucesso ou fracasso. Essa expedição mostrou claramente isso, muitos foram
os preparativos e os pequenos detalhes que fizeram toda diferença para o nosso
sucesso. Conhecer o Jalapão para mim, assim como o slogan, foi bruto! Não é um
lugar para qualquer pessoa, são para aqueles que gostam da adversidade, ainda mais
quando de faz de bicicleta.
Obrigado a todos que contribuíram por mais essa
conquista, essa Expedição Jalapão está entre as mais incríveis da minha vida.
Bora Mural!!! Elson.
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2 comentários:
Maravilha Elsão! Não sei se é porque está resenha teve um intervalo maior para a anterior mas a saudade só aumenta com as lembranças desta aventura. Muito bom reviver tudo! Parabéns
Elsão parabéns pela resenha. Deu pra perceber sua emoção no texto. Realmente essa expedição foi demais. Não tinha idéia que encontraria tanta diversidade nessa região. Dentro da imensidão do deserto os corredores verdes da mata margeando os rios.
Outro aspecto que você abordou foi a adversidade. No Jalapão tudo foi muito difícil, a escassez de água e comida, a areia e o calor do deserto, as noites frias dormidas nas redes ao relento.
Mas foi exatamente a superação de tudo isso que tornou essa expedição pra lá de especial.
Bora Muralllll
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