Essa é a minha quarta experiência com a trilha da Jiboia,
mais ainda precisava me testar na "all inclusive". A expectativa
estava em alta, tinha dois anos que não pedalava por essa região. Pelo
potencial que apresenta ao mountain bike, a região tem sido palco de
competições importantes no cenário baiano e nacional. Essa trilha realmente
merece todo respeito, não desmerecendo ou subjugando às demais edições, mais
essa em especial, testa nossos limites a todo momento.
Para exemplificar o que estou falando, trata-se de um trilha
de 100 quilômetros, com altimetria acumulada de quase 3.000 metros, com
aproximadamente 18 horas de pedal (saímos às 7:30 da manhã e retornamos às 1:30
da madrugada do outro dia), percorrendo, subindo e descendo a serra da Jiboia
por três vezes em locais distintos (Santa Terezinha, Elisio Medrado, Santo
Antônio de Jesus, Castro Alves...etc). Para completar a dificuldade da nossa
aventura, o tempo não colaborou, e a chuva e a lama nos castigaram até
chegarmos ao final do nosso desafio. Isso sem falar nos contratempos, como
problemas na bike (no meu caso a quebra da gancheira e de um pneu
desembeiçado), ocasionando uma queda daquelas cinematográficas (confiram as
fotos e vão confirmar o que estou falando) rsrsrsrs.
Para entenderem melhor o desafio, fazemos esse percurso
normalmente em dois dias, e o mais interessante, é que existem diversos
caminhos para chegarmos aos locais desejados, proporcionando uma aventura
diferente, com Muralistas diversos a cada edição e cheia de emoções e desafios.
Praticamente não existem partes planas, e o relevo da região já demonstrava
como seria o nosso pedal assim que saímos da fazenda onde ficamos hospedados. O
tempo mudou muito rápido, chegamos na noite anterior sem chuva, e na madrugada
e manhã seguinte, a chuva e lama dificultavam a passagem das nossas bikes. Com
menos de 5km rodados, estávamos completamente cheios de lama.
Até mesmo nas estradas de terra que ligam os vilarejos e as
cidades, não faltavam subidas e descidas íngremes. Iniciamos as partes de trilha,
com a "Matinha", local conhecido por passarmos no meio de um pequeno
pedaço restante de mata atlântica. Como o clima e a lama não ajudavam, chegamos
ao primeiro vilarejo (Tabuleiro do Castro) próximo do meio dia. Paramos para
uma hidratação rápida em um mercadinho local, e seguimos para a primeira subida
da serra. Como uma forma de compensar a dificuldade que iríamos enfrentar,
paramos na Cachoeira do Nunes, para relaxar uma pouco e iniciarmos a subida. Se
subir uma serra sem chuva já é duro, imaginem com o solo encharcado e
escorregadio. Mas com muito empurra bike e umas duas horas e meia chegamos ao
topo. Para valer o esforço da subida, fizemos o "downhill da
samambaia", uma descida alucinante, serpenteando um vale, que fez logo a
primeira vítima (Marão). kkkkkk.
Já estávamos no meio da tarde, com fome e sem água, e
seguimos para o famoso bar da farofa, para hidratar e comer nosso tiragosto.
Não pudemos demorar, pois, já estava no final da tarde, e ainda tínhamos subir
uma outra serra (a segunda) "serra das antenas" e enfrentar a famosa
"ladeira do cagão". Seu nome segue à risca, por que se vacilar o
cabra se caga todo na subida! kkkkkk. Ô ladeira íngreme e longa dos infernos. E
ainda cheia de lama! No meio da subida já estava escurecendo, e a chuva forte
juntamente com o frio começava a incomodar. Sem falar no cansaço, que já
começava a dar seus sinais. A noite caiu ainda na subida, e preparamos as bikes
com as lanternas para a descida até Pedra Branca. Chegamos na cidade 19h, procuramos
rapidamente um local para repor água e comer algo. Nesse momento, iniciávamos o
caminho de volta para a fazenda, mais ainda teríamos que subir a serra pela
terceira vez, enfrentar o "downhill das antenas e percorrer mais 35km de
estradas de terras com muitas subidas. Foram mais uma hora para subir ate às
"antenas", e o cansaço juntamente com o frio (isso mesmo , o GPS
chegou a marcar 11º) nos castigavam.
Chegando ao topo, como estava muito frio e ventando, não
tivemos condição alguma de admirar a vista que o local tem. Quando imaginamos
que a descida da serra das antenas seria rápida e divertida, ela se mostrou
escorregadia e cheia de lama. Aliás, eu fui uma das vítimas com uma queda feia,
mais por sorte não me machuquei. Enquanto consertava a bike, os demais Muralistas
aproveitavam para descansar e tirar uma soneca (isso mesmo, já passava das
22h), todos estavam muito cansados. No decorrer do caminho, a pergunta
frequente era: "Elson, falta muito? Quantos quilômetros mais ou menos?
kkkkk".
Após mais algumas horas de sofrimento, e uma última ladeira
chamada "arromba batata", chegamos na fazenda 1:30 da madrugada,
muito cansados, mais com o sentimento de dever cumprido!!! Não poderia deixar
de citar, o churrascão delicioso que fizemos para comemorar nossa conquista.
Parabéns a todos os participantes (Tio Chico, Beiçola, Carla Peres, Cabeça de
Cone, Smigol, Chassi de Craque) kkkkkkk por terem completado esse verdadeiro
teste de resistência física e psicológica. Um abraço de Paulo "Pão com
ovo" Kichute.
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5 comentários:
Show!!! Faltaram as fotos do churrascão!!!
Nunca fiz a Serra da Jibóia, mas assim q tiver oportunidade to colado!
Parabens pela resenha Kichute!
Não me canso de fazer a Jiboia!! É muito show!!! All Inclusive então é super especial...
Kichute, parabéns pela resenha jugou duro e demonstrou o quanto foi difícil essa aventura.
Dia 22 e 23/10 tem Jiba 15!!! Bora Mural!!!
Jiba é sensacional!
Resenha massa kichute!!! Vendo as fotos deu saudades da Jiba. Fiz a edição All Inclusive e sei que não é fácil, imagino com toda essa lama.
Parabéns galera!!!
A resenha ficou massa!! Os apelidos muito criativos kkkkk a jiba é boa de mais de pedalar, as fotos mostram quão bonito é lá, bora mural
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