Antes de começar a resenha
gostaria de dizer que participar desta expedição, minha primeira do Mural e
também as primeiras trilhas nível 5 que fiz, foi muito mais que uma aventura de
superação física, foi um reconhecimento de superação dos meus limites físicos,
mentais e espirituais. Apesar de todo sofrimento passado, admito que devido ao
meu insuficiente preparo físico e inexperiência, confesso que foi uma das
experiências de vida mais importantes da minha vida e portanto não só recomendo
aos demais colegas Muralistas que se preparem e façam umas das próximas, mas eu
mesmo vou me preparar para fazer também outra futura. Só não sei quando, mas
prometo que irei. Não por acaso, ou se foi uma mensagem de Deus, um cartaz na
pousada mostrava uma frase que representava exatamente o que vinha acontecendo
comigo: “Deus nunca me abandona, e era a Ele que eu pedia pra renovar minhas
forças, para não desistir”.
Depois de passarmos no dia
anterior, por um dos trechos mais difíceis em minha opinião, visto que além das
subidas e descidas, lindas trilhas, nascentes e cachoeiras, quedas, perdidões e
trechos noturnos como verdadeiros peregrinos, acordamos no povoado de Pilões na Pousada de Dona Selma, uma
Senhora simpática e comunicativa que nos acolheu no meio da noite, com muito
cansaço, frio e fome. Estávamos dispostos para mais um dia de grandes emoções
com objetivo de complementar o restante da trilha do dia anterior até a cidade
de Guaratinguetá e assim partimos.
Logo percebi que meu rendimento físico que já era sofrido estava mais
debilitado, pois minhas pernas não conseguiam acompanhar o ritmo dos demais,
apesar do trecho de Pilões até Guaratinguetá ser praticamente plano e
em estrada de asfalto. Mas enfim cheguei, e logo fui presenteado com um puxão
de orelha do chefe Elson, numa frase seca, mas motivadora: “Deixa
pra chorar suas mágoas em Aparecida, só faltam 8Km!”.
Chegamos em Aparecida e fomos direto para a Catedral de Nossa Senhora de Aparecida, onde além das inúmeras e lindíssimas fotos tiradas, ficamos vislumbrando aquele grande monumento sagrado, claro que respeitando a religiosidade de cada um, foi como eu me senti. Principalmente porque a minha presença ali era mais do que uma simples visita turística, mas era a realização de uma promessa feita há exatamente 6 anos atrás, quando minha esposa Márcia tinha se submetido a uma difícil cirurgia na cabeça e que pela graça de Deus tudo correu bem, na época, depois ao final explico o porquê. Ali senti uma forte emoção ao chegar e confesso que não consegui conter as lágrimas ao lembrar daqueles momentos difíceis mas felizmente superados.
Chegamos em Aparecida e fomos direto para a Catedral de Nossa Senhora de Aparecida, onde além das inúmeras e lindíssimas fotos tiradas, ficamos vislumbrando aquele grande monumento sagrado, claro que respeitando a religiosidade de cada um, foi como eu me senti. Principalmente porque a minha presença ali era mais do que uma simples visita turística, mas era a realização de uma promessa feita há exatamente 6 anos atrás, quando minha esposa Márcia tinha se submetido a uma difícil cirurgia na cabeça e que pela graça de Deus tudo correu bem, na época, depois ao final explico o porquê. Ali senti uma forte emoção ao chegar e confesso que não consegui conter as lágrimas ao lembrar daqueles momentos difíceis mas felizmente superados.
Mesmo com tempo apertado
conseguimos comprar umas lembrancinhas e corremos pra almoçar, já que ainda
tínhamos muitos quilômetros a percorrer por trilhas até a cidade de Cunha. Partimos após comermos e logo
começaram a surgir os primeiros perrengues mecânicos. Um deles foi a quebra de
raios das bikes de Luiz e Rogério, e logo depois o problema da quebra do
rolamento da caixa de direção da bike de Serjão, que nos fez perder muito tempo
numa oficina de bikes para reparar os problemas e enfim partir por volta das
16hs da tarde, sabendo que ainda tínhamos mais de 50Km até a chegada.
A trilha foi muito boa, subimos
depois subimos e enfim subimos mais até que depois de mais subirmos, e com mais
um ingrediente além do frio veio a chuva. E com a noite chegando, mais frio,
algumas descidas e mais frio pela sensação térmica do vento gelado e da roupa
molhada pela chuva e pelo suor. No meio da estrada paramos num restaurante bem
rústico com direito a aquecermos ao lado de um saudoso fogão a lenha, comemos
alguns queijos e tira gostos, bebemos umas cervejas e partimos. Desta vez fomos
agraciados por umas boas descidas. Mas como sempre que se desce, pode esperar
que vem pela frente mais subida, as placas ao longo da estrada, enfim de
asfalto, nos alegravam marcando que só faltavam 25Km para Cunha, mas a sensação
era que faltavam mais de 50km. Pra completar, numas das longas subidas pra
chegar, nosso colega Herrera começou a passar mal e teve que parar pra vomitar
por varias vezes. Não pelo cansaço, segundo ele, e sim pela comida que tinha
algum ingrediente que ele não poderia comer ”meu ovo!”.
Enfim chegamos a tal Cunha, pense
numa cidade longe. Muito frio e chuva nos recepcionaram e pra completar uma
fome da zorra. Por sorte ou ajuda divina paramos num posto na entrada da cidade
e logo um grupo se aproximou dizendo serem também ciclistas, mas logo ficaram
impressionados e assombrados quando ao perguntarem de onde estávamos vindo,
quantos quilômetros já tínhamos pedalado e a altimetria, sem nenhum apoio e carregando
nossas próprias bagagens. Pois eles estavam fazendo algumas trilhas por lá, mas
pelo asfalto e com carro de apoio. Ainda assim foram legais nos indicando uma
boa pousada, e pra fechar a noite indicaram uma churrascaria onde pudemos
brindar esse feito regado a um excelente rodízio de carnes e cervejas
geladíssimas.
Por fim, gostaria de agradecer em
primeiro lugar a Deus por ter me permitido participar e concluir essa expedição
com saúde e inteiro, e pelas ótimas amizades e oportunidades de estar em
contato com pessoas amigas e solidárias, além das belíssimas paisagens da
natureza dos lugares onde passamos. Sei que isso tudo foi um grande aprendizado
de vida, no qual pude compartilhar com amigos, familiares, e principalmente
minha esposa Márcia, uma pessoa muitíssimo especial, a quem amo muito e
continuarei amando eternamente, pois a considero um ser iluminado, que me amou
e me ensinou muitas lições, das quais ressalto sua enorme luta para viver,
enfrentando diversas batalhas duras e incansáveis, mas por designíos de Deus, completou
enfim sua missão, vindo infelizmente a deixar nosso mundo material, seguindo sua
nova jornada no plano espiritual, na certeza de que ela estará acompanhada e
guiada por “Ele”, iluminando os caminhos onde estiver e com certeza nos
protegendo em nossa caminhada. João Ramos.
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR
5 comentários:
A emoção da resenha de João retrata os sentimentos que os sacrifícios individuais junto com o convívio com o grupo aflora numa aventura como essa. Parabéns J.Ramos pela resenha e a todos pela superação.
Muito bom!!! Isso eh Mural!!!! Superação!!!! Brocação!!!
Lucas Malandra
Belas palavras. A união do grupo nos deixa forte e encorajado quando menos esperamos e mais precisamos. João, a resenha ta emocionante e que Papai do céu te conceda sabedoria para lidar com as dificuldades diárias. Bora Mural!
Resenha emocionante! Parabéns João Ramos! Você foi um guerreiro e, apesar das dificuldades e do sofrimento, eu não vi você perder a calma e a serenidade em momento algum. Que Deus te dê forças para superar todos os desafios que têm surgido em sua vida. Abraço forte!
João! Resenha muito emocionante. Todos nós fomos vencedores, mas você foi ainda mais por ter encontrado forças para superar esse grande desafio. Foi uma satisfação muito grande conhecê-lo e ter tido a oportunidade de fazer essa aventura contigo. Abraços muralistas!
Postar um comentário