Sétimo e penúltimo dia... a sensação
era de estar pedalando a meses... Exageros a parte, tivemos uma boa noite de
sonho após um belo e farto rodízio de churrasco na noite anterior. O café da
manhã da pousada ficou a desejar na variedade, mas comemos bastante e não
perdemos a oportunidade de preparar um lanche para levar, pois o risco de não
haver pontos de apoio sempre existe. Havia um grupo de pedal cearense hospedado
no mesmo local e eles começaram o pedal bem antes da gente. Eles estavam a
passeio, afinal, com carro de apoio fica tudo mais fácil e prático, não era bem
uma expedição como a nossa
Iniciamos nosso pedal com um chuvisco
bem leve, mas para nossa sorte, o frio já não era tão intenso como nas manhãs
dos dias anteriores... estava bem tranquilo. O trajeto seria boa parte pela
Estrada Real, com os totens oficiais marcando o percurso. Nossa pousada era na
entrada da cidade, então pedalamos em direção ao centro até encontrar nosso
roteiro. Colamos um adesivo do Mural no primeiro totem da Estrada Real que
encontramos e seguimos sujando os pneus na estrada de barro. O sobe e desce era
interminável, e neste início sabíamos que seria mais sobe do que desce...
somente no final teríamos um grande downhill. Algumas das ladeiras eram
pavimentadas por conta da inclinação acentuada. Alguns zeravam pedalando,
outros iam do início ao fim empurrando. Não vamos citar nomes...
Já
eram quase 14 horas quando decidimos parar para comer. Como disse no início da
resenha, o risco de não haver ponto de apoio se tornou realidade. O lanche
trazido do café da manhã foi nossa salvação. Pedalamos por mais uma hora e meia
até chegar ao asfalto. A estrada parecia um tapete e as bicicletas ficaram bem
mais leves... para felicidade de todos. Se antes subíamos e descíamos sem
parar, a partir daí só fizemos subir... subimos muito mesmo. A paisagem era
deslumbrante e a baixa velocidade durante a subida permitia a contemplação. De
repente nos deparamos com uma cachoeira na lateral da pista... paramos para
fotos e para surpresa geral Elson, com uma coragem nunca vista, entrou debaixo
da água congelante!!! A euforia foi geral. Ninguém mais poderá falar que ele
tem medo de água.
Seguindo a diante, após mais subida encontramos finalmente um estabelecimento
onde poderíamos beber ou comer algo. Parecia fechado, mas insistimos e apareceu
um cidadão para abrir a cancela e nos atender. Era muito arrumado o local, e
principalmente, havia uma lareira enorme. A disputa era para ficar o mais
próximo possível até nosso amigo Herrera resolver secar suas luvas, resultado,
derreteu!!! Quanta ingenuidade!!! Com fome, alguns queriam almoçar, mas sabendo
que faltava pouco para começar a descida insana do dia resolvemos partir após
uma rodada de queijo com mel e muitas cervejas.
Alguns quilômetros a diante, uma parada estratégica para fotos na placa de
divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, chegou a hora de
descer... e muito!!! Este último trecho da estrada real ainda não é
pavimentado, porém está em obras, e daqui a pouco tempo será todo em piso
intertravado. O primeiro quilometro já está pronto, o que deixava as bicicletas
rápidas e soltas... perigo total nas curvas de 180 graus. Alguns desciam mais
rápido do que outros e não perdemos a oportunidade de filmar tudo. O que já
estava bom melhorou quando começou o piso irregular de terra com muitos
buracos, lama e alguns carros subindo e descendo a serra. Já não chovia mais,
porém o estrago já tinha sido feito pela chuva, para felicidade geral do Mural.
De repente, nosso amigo GDI, morrendo de medo, pediu pra parar... estava sem
freio. Na tentativa de trocar as pastilhas percebeu que as novas não
encaixavam, ou seja, teria que continuar sem freio mesmo!!! Neste momento
aproveitamos um dos barracões da obra para nos abrigarmos do frio e do vento.
Parecíamos retirantes nordestinos sujos viajando sem destino!!! Ainda havia
muito chão pra baixo então reiniciamos. Muita lama, velocidade e adrenalina,
fechamos com “chave de ouro” a Estrada Real... afinal, ela foi construída para
a busca do ouro!!!
A
chegada em Paraty foi incrível. Os turistas e moradores acenavam e comemoravam
junto com a gente. Entramos na cidade e procuramos o melhor ponto turístico
para as fotos da chegada. Na frente da igreja junto ao mar a emoção tomou conta
do grupo. Festejamos muito e foram inúmeras as fotos e abraços. Missão
praticamente cumprida... restava apenas o pedal das cachoeiras de Paraty do dia
seguinte. Fomos então atrás de um restaurante para o brinde sagrado. Enquanto
comemorávamos os olhares dos passantes eram de surpresa e admiração. Porém não
havia hospedagem reservada. Hora de pesquisar e encontrar algo bom e barato.
Não deu outra, encontramos uma pousada muito confortável para as próximas 2
noites.
Grande abraço, REI.
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3 comentários:
Mais um desafio cumprido! Parabéns pela excelente resenha, Rei. Você broca! E aos meninos também, essas ladeiras intermináveis acaba com um, rs. Bora Mural.
Valeu Rei ótima resenha! Fotos massa. Parabéns a todos pela expedição.
Que venha os Andes!!!
Valeu garela, tudo foi ótimo, maravilho e inesquecível. Recomendo a todos que façam essa expedição algum dia, pois nem fotos nem palavras descrevem isso e muito mais que passamos. Bora Mural!
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