Bem-vindo ao novo Muralista: Claudinei Costa de Souza.
6º Dia - Expedição Titicaca (Bolívia - Peru): De Ilave a Puno (Texto: Reinaldo Cezimbra)
Dormimos numa espelunca, mas pelo
menos dormimos. Achar uma hospedagem foi bem difícil na noite anterior. A
cidade não vive do turismo, e para nosso azar teria um casamento no dia
seguinte, lotando o único bom hotel. Acordamos cedo para tomar café na mesma
lanchonete do dia anterior. Não adiantava procurar por novidades... Porém, não
foi uma boa opção, pois nosso pedido demorou muuuuito para sair e nos atrasou
em pelo menos uma hora. Todo mundo alimentado era hora de partir... dando uma
volta na praça vimos o tal casamento em praça pública, como banda de música, os
convidados dançando ao redor de engradados de cerveja que estavam sendo
distribuídos, além de muito confete sujando tudo. Mas éramos nós a maior
novidade na cidade e todos olhavam e tirávamos fotos daqueles sete malucos
fantasiados de verde com bicicletas. Nem os tuque-tuque faziam tanto sucesso.
O nosso caminho era longo, 54km, mas
para nossa sorte não teríamos uma grande variação na altimetria. Ilave não
beirava o Titicaca e demoramos um pouco para avistar novamente o grande lago, o
que deixou o início da viagem menos agradável. Porém caminho foi tranquilo com
poucos carros e longa retas, ficava até meio monótono. Após 20km paramos para
um descanso em frente ao mercado central de Ancora. Guga fez logo amizade dom
um tiozinho mas conversando um não entendida nada do que o outro falava. Já eu
e Kadjon suspeitamos de dois sujeitos numa moto que pararam depois da gente e
não parava de olhar. Ficamos ligados e não aconteceu nada. Continuamos todos
muito dispostos, inclusive Odi, que já estava recuperado do estômago... Mas à
frente, já em Chucuito, na entrada da cidade passamos por dois rostos gigantes,
um de cada lado da estrada. Pareciam índios só não entendemos o real significado.
Fiquei sentido neste dia, pois o povo querendo chegar logo no destino final nós
deixamos de visitar algumas atrações exclusivas deste trajeto, como muitas
ruínas incas.
A chegada em Puno foi épica...
quando já avistávamos a cidade e bastava dar a volta da baía para chegar ao
centro passou no nós uma van buzinando e acenando. Lemos nos adesivos do carro
algo sobre Bike e pesamos: “esses são dos nossos”!!! Eles pararam mais a frente
para nos cumprimentar e ficamos sabendo que se tratava de brasileiros
especializados em expedições de moto para milionários. Mas o ponto alto foi o
detalhe que eles contaram... nego reclama e chega a desistir mesmo com motos e
hotéis 5 estrelas, imagine de bicicleta!!! Ou seja, noix broca!!! Depois de
algumas fotos e mais resenha era hora de chegar ao nosso destino.
A cidade de Puno era grande e nos
dava a esperança de achar um hotel mais confortável depois de dias com
hospedagem meia boca. Objetivo inicial foi chegar à praça principal, chamada de
praça das armas. Uma praça ampla onde se localiza “La Catedral de Puno”, a
principal catedral barroca da cidade, declarada como Patrimônio Histórico
Cultural da Nação do Peru. Eu e Elson deixamos os outros por ali curtindo o
visual e fomos atrás do nosso desejado hotel. Não demorou muito e chamamos uma
ótima opção que deixaria todos muito satisfeitos. O hotel Plaza Maior tinha 3
estrelas e o preço era em dólares... podia ser até em euro que todo mundo
pagaria!!! Melhor do que o hotel era o recepcionista Braulio, que nos deu todas
as direções para visitas as ilhas flutuante de Uros e Taquile Amantani no dia
seguinte. Tudo certo, hospedagem garantida, um belo banho, agora era hora de
caçar um bom restaurante!!! Ao lado do hotel havia uma rua só de pedestre onde
tudo acontecia e não deu outra, eram tantas opções que entramos no primeiro
restaurante... Tradiciones del Lago era o nome, e teve gente que comeu dois
pratos e meio!!! Que maravilha!!! São as recompensas de uma expedição. Nego só
não sabia o que esperava por eles nas ilhas... kkkkk... Aproveitamos o final da
tarde para fazer compras... era outra infinidade de lojas de artesanato. Quando
finalmente anoiteceu entramos num pequeno Pub chamado Pacha Mixology Coffee Bar
para brincar o dia. Pedimos bebidas diferentes como Pisco Sour Nitrogenados e Mojitos
encapsulados. Fomos dormir cedo, pois as camas confortáveis nos convidava
insistentemente.
Trilha na Ilha dos Frades - A Ladeira do Trek Trek e o Um minuto de Silêncio
A trilha bem que
poderia ser chamada de “O retorno de Jedi”, porque representou meu retorno as
trilhas do Mural de Aventuras e, além disso, é uma trilha considerada por nós
uma das top’s das galáxias, uma das top 5, e olhe que o Mural já rodou muita
coisa ,seja na Bahia, no Brasil e até pelo mundo a fora, mas preferir batiza-la
como : A Ladeira do Trek Trek e o Um minuto de Silêncio, vocês saberão
o porque.
Bom, a resenha da trilha
estava entre 4 muralistas, sendo que dois (Eu e o Odair- coroa brocador - pelo
nosso retorno as trilhas) ,o Kadjon por estar um pouquinho cansadinho e a lenda
viva o nosso amigo PDF(Arquimedes) que foi o verdadeiro protagonista desse
dia...rsrsrsr, mas foi-me confiada porque detalhes importantíssimos poderiam
ser esquecidos ou mesmo não relatados kkk. Passado toda a ansiedade pré trilha
, nos encontramos e partimos para a cidade de Madre de Deus onde um barco nos
esperava para então partirmos a belíssima Ilha dos Frades. O passeio de
barco/ilha já compensava de estarmos ali, um visual incrível paradisíaco uma
previa do que teríamos o privilégio de usufruir, e digo privilégio porque dessa
feita recebemos a autorização de pedalar em locais que não são liberados ao
publico em geral, ainda mais porque esse local recebeu um selo internacional o
Blue Flag(bandeira azul), uma certificação que qualifica as praias sustentáveis em todo o mundo, são 34
requisitos socioambientais minuciosamente avaliados como: limpeza, qualidade da
água, ações ambientais e turismo sustentável.
Ao chegar à Praia de Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, na
Ilha dos Frades, fomos recepcionados no Pier do Loreto e de lá seguimos para o
centro cultural administrado pela Cerimonial do Loreto e conhecemos o nosso
anfitrião o Ed Buacoski que nos mostrou o centro cultural que tinha uma
bela maquete da ilha por completo e além dos caminhos que deveríamos seguir. O
Ed juntamente com outro funcionário nos acompanhou a maior parte da trilha de
quadricículo aí pensamos, xiiii vai será uma trilha Nutella só pelos estradões da ilha, mas o
Elson, o líder do grupo combinou com eles para nos levar aos lugares
mais difíceis e assim foi uma verdadeira trilha Raiz muito técnica e alucinante.
A Trilha
Essa trilha é
sensacional, apesar de ser de baixa quilometragem cerca de 25km mas com uma
altimetria considerável ,o conjunto terreno, subidas intermináveis, sol
abrasador e descidas alucinantes com folhas secas o que dificulta ainda mais a
tração e controle da bike, torna essa trilha com grau de dificuldade alto. Já
na primeira descida em alta não entendíamos nada porque Giuliano estava se
acabando na risada e Elson no barranco, mas depois soubemos que ele teve uma
conversa com o paredão de barro uma cena engraçada, porem
não pode rir do chefe, Giu desconsiderou isso e teve o pneu furado logo à
frente kkk, O grupo estava forte, brocávamos as subidas cada vez mais íngremes
que até mesmo o pessoal do quadricículo ficava impressionado como conseguíamos
subir somente com a força de nossas pernas. Nosso amigo PDF estava voando com a
bela bike cheia de tecnologia a Trek Trek ops... até que em uma subida muito íngreme
,que somente 3 conseguiram zera-la sentimos falta de PDF, paramos
no topo da ladeira para espera-lo e milagrosamente aparece Guga no top da ilha com
uma garrafa térmica com uma saborosa coca cola geladíssima, vocês não fazem
ideia o quão revigorante foi toma-la ali...e nada de chegar PDF, foi quando
recebemos uma mensagem no rádio ele havia quebrado a bike e que só restava
emburra-la ladeira acima, o mandamos usar as ferramentas mais ele não tinha
(pode isso Elsão não levar material?) a ladeira era tão íngreme que nem o quadricículo
conseguiria traze-lo ai ele teve que empurrar a bike e a galera abusando
dizendo que a bike dele estava fazendo TREK TREK...ele ficou beeeeeeeeem sério
(vejam o vídeo) e a galera só abusava ainda mais tentando tirar ele do sério
sem sucesso rsrsrs e calado subia empurrando a Trek Trek até que gritaram: “deve estar fazendo Um minuto de silêncio’’ o
que resultou em muitas risadas, porque a resenha faz parte. Problema na bike
foi simples e resolvido prontamente por Jean (Tacalepau) e
seguimos a brocação, cada descida e subida melhor que a outra e essa ladeira
foi então batizada a Ladeira do Trek Trek...rsrsrs
3º Dia - Ciclo Aventura Chapada Diamantina (Vale do Pati ao Capão) (Texto: Neylor Bahia - Mineiro)
Amanheceu no Vale do Pati, a bruma envolvia as montanhas e
um clima ameno imperava. Chegava a hora de sair da casa de Dona Raquel e rumar,
morro acima, para o mirante do vale e, de lá, para o Vale do Capão. No café, um
pão caseiro feito na hora nos presenteava com energia ao montes. Não era mais
tempo para experimentar a cachaça de banana ou de ouvir o seu João tocar sua
sanfona, dentre as mágicas que aquele lugar nos reserva. Daquele pouso
encantado sairíamos para uma prática fundeada na Grécia antiga, talvez cedo
demais. O morro do Castelo e sua gruta ficariam para outra ocasião.
Passamos primeiro no amigo de Leonov, o senhor Wilson, um
dos anfitriões daquele espaço espremido no vale do Rio Andaraí. Conta-se que
ali os primeiros habitantes chegaram no final do século XIX, açoitados por uma
grave seca. A umidade permitiu que mais de duas mil pessoas cuidassem de
plantações de café, banana e de extração de palmito, além da coleta de
diamantes em pequena escala. Ali córregos e nascentes formam a base do Rio
Paraguaçu, que abastece a Região Metropolitana de Salvador, distante quase 500 quilômetros,
Por isso é chamada de "Caixa D´água da Bahia". Em fins da década de
50 o governo federal comprou a produção nacional de café e a queimou, a fim de
aumentar o preço no mercado internacional. Isso provocou o êxodo dos
sertanejos, hoje resumidos a treze famílias, de acordo com o relato do Parque
Nacional da Chapada Diamantina. O povo patizeiro vive agora do ecoturismo. Em
mais de 60 anos a mata recuperou, em parte, seu espaço e nos agracia com raros
cenários.
Continuamos a rodar e
logo depois da primeira parada sequestramos um guia que seguia descalço e
conduzia uma família de turistas. Ele nos deu a dica da trilha do Cruzeiro,
praticamente invisível do Mirante do Pati, e também para o caminho da Igrejinha
do Senhor do Bomfim. Disse ainda: "esse povo ciclista ama o
sofrimento". Então o largamos e fomos para a Cruz. Difícil escalada,
amenizada por uma paisagem de encantamento. Os mais de dois mil quilômetros
entre Ouro Branco e Sento Sé possivelmente ali possuem o maior esplendor da
Cordilheira do Espinhaço. Quem sabe, nas estradinhas próximas à Cabeça de Boi,
distrito de Itambé do Mato Dentro, veria algo tão marcante. Não havia
cachoeiras recentes formadas pela chuva, sequer passamos pela do Funil ou por
outra de maior dimensão, mas ali encontrava a perplexidade. Para mim, seria
impossível entender e tentar descrever tamanha beleza. Recorro à "Hotel
Toffolo", do livro Claro Enigma, de Drummond:
E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.
Como se a cidade não nos servisse o seu pão
de nuvens.
Não, hoteleiro, nosso repasto é interior
e só pretendemos a mesa.
Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
Tudo se come, tudo se comunica,
tudo, no coração, é ceia.
No Camping da Igrejinha encontramo-nos com um grupo de
trilheiras de Salvador e fizemos uma pausa para uma leve refeição de carne de
sol e suco de abacaxi. Não havíamos percorrido 3,5km em meia hora e a subida da
"Rampa" que nos separava do Mirante do Pati nos aguardava. Levamos
cerca de uma hora e meia com as bicicletas nas costas para percorrermos os 140
metros de morro acumulado até a "BR" do alto do Vale, conforme alguns
guias nos falaram anteriormente. Perto da chegada ao Mirante, fui ultrapassado
por dois tropeiros e três burrinhos com as bruacas vazias, que seguiam para
buscar víveres a duas, três horas dali, talvez no Guiné. Mas também descansavam
por lá dois gêmeos alemães, dentre vários viajantes da Deutschland pelos quais
passamos em apenas três dias de Chapada. Povo sabido esse que não se abala por
um oceano, aprende rudimentos de português e se afunda pelo Brasil profundo
para ver o incompreensível.
No mirante do Pati nos frustramos com a inexistência do
"moço do suco natural", produzimos mais centenas de imagens e avançamos
por um terreno escuro, quebradiço e de vegetação rasteira até o ponto mais alto
da viagem, a 1422 metros de altitude. Dali literalmente nos despencamos para o
Quebra Bunda, trilha de pedras disposta a nos arrebentar nos escorregões.
Convoco aqui meu amigo Jim, o que abriu as portas da
percepção:
Not to
touch the earth
Not to see
the sun
Nothing
left to do, but
Run, run,
run
Let's run
Let's run
Surpreendentemente, como se a jornada não fosse toda ela
feita de deslumbramentos, chegamos quase inteiros ao final desse trecho. Havia
ainda um trecho longo até o início da "Bomba", outro caminho de
pedras que desemboca nas proximidades da Vila do Capão, como é conhecido
distrito de Caeté Açu, na cidade de Palmeiras. No início do longo declive o
proprietário disse a senha: "Larga!", para logo depois se espatifar
num toco traiçoeiro e ter seu suporte de computador destruído. Felizmente,
tirando a argila branca que o cobria, ele havia se safado. Muitos trechos de
descida em rocha depois, era a vez de eu mesmo me tornar vizinho do dono e me
integrar à natureza, me abraçando às samambaias que cobriam o lado esquerdo do
percurso. Assim me tornei também possuidor de uma escritura na Chapada.
Esperamos o grupo se juntar próximos à placa do Ibama. (Nota triste: ali e em
poucos momentos em que cruzávamos com os guarda parques sentíamos estar num
Parque Nacional, tamanha a ausência de sinalização e de qualquer outro cuidado
com os caminhos.).Mara e Carla traziam um tênis perdido por Leonov. O dia havia
sido extenuante. Mas era a hora da travessia de três córregos, um mais belo que
o outro, para logo depois concluirmos o trecho mais bonito dessa parte num bar
local, com creme de cupuaçu e magníficos pastéis de palma de jaca.
5º Dia - Expedição Titicaca (Bolívia - Peru): De Copacabana e Ilave (Texto: Odilardo Filho)
Antes de iniciar a resenha do dia, vou explicar o motivo de
ter sido o escolhido para esta tarefa. Desde Sorata onde estivemos, eu já não
estava me adaptando a comida Boliviana, e em Copacabana visitando as ilhas de
barco, passei muito mal ao ponto de precisar me apoiar para conseguir andar,
fiquei então sem me alimentar durante todo o dia, tomando apenas água e
Gatorade. A noite todos foram jantar enquanto repousei no hotel pois já não
conseguia nem me manter aquecido, tremia debaixo de cinco edredons. Ao fim do
jantar, Kadjon trouxe uma quentinha, que por mais que tentasse não conseguia
comer nada; A preocupação estava nos olhos de todos ao me visitarem no quarto e
assim faziam a mesma pergunta: “E ai Odi, vai fazer o que amanhã?”
Sinceramente, essa era minha maior preocupação, maior até do que com minha
saúde, desistir ou enfrentar os 90km naquele estado. As 5:00hs da manhã acordei
na geladeira apelidada de hotel Flores de lago. Todos voltaram a me visitar e a
me questionar sobre meu estado, porém um fato já se destacava a vista de todos,
eu estava com o uniforme do Mural e pronto pra guerra. Então daí surgiu o
convite de Elson, “Odi, se você for pedalar hoje a resenha com certeza será
sua”.
Seguimos no frio da manhã ainda que sob os raios do sol em
direção a Plaza Sucre, onde ficava o temível caixa eletrônico Papa cartão
brasileiro, rssss, para resgatar a tarjeta de Marão, sua última vítima.
Enquanto ele aguardava o banco abrir, seguimos para a praça 2 de fevereiro em
frente a linda Basílica de Nossa Senhora de Copacabana onde sentamos para tomar
café da manhã na lanchonete de um Americano, seria uma tentativa de algo
diferente da comida boliviana.
Enquanto todos comiam seus grandes sanduíches cheios de
queijo e salame acompanhados de suco, café e até chocolate quente, fui ao
mercado municipal atrás de algo que pudesse comer, algumas bananas e maçãs. Lá
descobri o que poderia ter me deixado tão mal, carnes e frangos expostos sobre
o balcão apenas em temperatura ambiente, que apesar de frio estava longe de ser
o ideal, acredito que nunca ouviram falar em vigilância sanitária por lá.
Saímos após algumas fotos com os simpáticos americanos em
direção a Rota Nacional com destino ao Peru. A estrada seguia margeando o Lago Titicaca
e tinha poucas subidas e descidas, mas qualquer elevação naquela altitude (quase 4.000 metros) exigia muito. O cansaço e a fraqueza já se apresentaram logo no primeiro km,
mas com o apoio de Guga, Rei e Elson que me empurravam mantendo-me a frente do
pelotão, não tinha como parar nem para respirar. Pedalados uns 10km chegamos a
fronteira e ao posto Boliviano de Kasani para sairmos da Bolívia e seguirmos em
terras Peruana.
Ao atravessar a fronteira a paisagem natural era a mesma, o
lago Titicaca, pouca vegetação e muita pedra, mas os ares eram outros, uma
placa bem grande ostentava o nome Peru dando boas-vindas aos expedicionários. Pausa
para a foto e este seria o nosso primeiro contato com o povo daquele lugar.
Duas senhoritas que estavam próximas se prontificaram a nos fotografar, muito
cordiais e alegres, até pousaram conosco nas fotos, a hospitalidade e alegria
peruana já contrastava com o povo fechado e rude da Bolívia salvo por algumas
exceções. Seguimos alguns metros e já estávamos na aduana peruana, estrutura
muito superior à da Bolívia que mesmo com a chegada de um ônibus lotado de
turistas fomos logo atendidos.
Trilha na Ilha de Itaparica: Como eu Nunca Tinha Visto
Ainda era escuro quando o despertador tocou, e mais uma vez
jurei para mim mesmo que não faria mais uma loucura dessas, de acordar antes
das 4:00 da manhã para pedalar. Mas felizmente após o termino dos pedais,
sempre acabo mudando de ideia e percebendo que no fim, todo o esforço vale a
pena.
Na verdade, tivemos que acordar um pouco mais cedo que o
normal, pois teríamos que atravessar para Ilha no primeiro ferry, e para piorar
Eu e Arquimedes (PDF) resolvemos já saímos pedalando do Imbuí e encontrar Foltz
pelo caminho. Mas deu tudo certo, conseguimos chegar pontualmente e encontrar o
resto dos Muralistas: Elson, Alexandre e Rei já na fila. Foi neste momento que
olhei os participantes e pensei: “Essa trilha vai ser nível 6... isso sim.”!
Um detalhe que não me saia da cabeça era o fato de eu ter
uma Formatura as 20:00 em salvador, e só me vinha na mente as lembranças das
resenhas que li no dia anterior, todos falando que essa Trilha na Ilha
Itaparica não tem hora para terminar.
Devido ao horário, acabei saindo de casa em jejum, já dentro
do ferry, procurei fazer uma alimentação saudável que me ajudasse a completar
este desafio. Mas ao ver a Coxinha brilhando no balcão da lanchonete não
resisti. Kkkkkkkkk
Ao iniciar a trilha, percebi que não seria uma tarefa fácil
acompanhar esses caras, ainda mais PDF todo empolgado inaugurando a bike que
ele aguardava ansioso a sua chegada a quase 6 meses. (Risos).
Não achava que a Ilha de Itaparica tivesse tanta ladeira. Na
verdade essa “Ilha de Itaparica” que conheci, eu nem imaginava que existia,
lugares lindos, paisagens marcantes, muita mata e brocação nos singles tracks.
Na segunda parada, mais ou menos na metade do percurso, ouvi
Elsão cochichando com Foltz: “Você lembra que neste ponto, no ano passado, nós
chegamos aqui depois de meio dia?”. Olhei para o relógio e vi que ainda nem
tinha dado 10:00, e foi a certeza que realmente o ritmo estava bem forte. (Além
da sorte de não termos nenhum problema com as bikes, lógico!).
Trilha do Morcego na New Tiririca
O ano
começou e lá estava eu e Pit muitos dias sem pedalar com o Mural, fomos no CTM
de terça e Elsão comunicou a agenda do mês, e ficamos bastante animados com a
novidade da Trilha da Tiririca que seria num sábado a tarde e nos daria
possibilidade de ir, já que quase todos os sábados Pit sempre trabalha.
Na terça que
antecedeu a trilha eu acabei não indo, pois estava doente, mas Pit foi e voltou
mais uma vez animado e certo de que estaríamos lá no sábado.
Chegou o
grande dia e acordei com a mesma sensação de quando fui pedalar com o Mural
pela primeira vez, e Pit me disse: "Baixinha você parece que vai
participar de uma Olimpíada! Haja preparação. rs " Arrumei nossas roupas,
comprei meu carbogel e aguardei ele me ligar. Fomos pra Arembepe, deixamos o
carro e saímos já pedalando pra encontrar a todos. Logo quando chegamos reparei
que todos traziam consigo muita água, enquanto que eu e Pit (os calouros)
tínhamos apenas uma garrafa cada. Elsão sugeriu de comprarmos mais água e lá
fomos....
Primeiros
kms e la vinha Elsão desafiando Pit a subir e descer algo que pra mim era
difícil, a brincadeira se formou quando Pit disse que não podia se arriscar, pq
iremos viajar próximo mês e eu disse: Se cair, eu viajo sozinha... rs. Mas ele
não sabe dizer não e aceitou o desafio de Elsão, subiu e desceu por duas vezes,
até eu entrei nessa loucura, mas desci a mais leve... rs Depois de uma sessão
de fotos e videos seguimos a diante... pedalamos por uma paisagem incrível e
apaixonante. Em um certo momento, Elsão,
Rey e Fernando param e dizem, agora os novatos vão na frente.. Pit desconfiou
que alguma coisa estava por vir, e tomou minha frente e foi... lá estava o
buraco do esparro, eu melhor da lama... rs Pit afundou até o joelho e eu em
seguida... O que mais superou foi Mário, que todos esperavam que iria afundar,
mas nem sujou a meia branca. rs
Pedalamos
por mais um tempo, e apreciamos a beleza que a natureza tem a nos oferecer,
chegamos em um pier de madeira, uma água quentinha e lá ficamos por alguns
minutos... Era a hora da sessão de fotos também.
Retomamos a
pedalar e eu logo perguntei, me avisem quando chegarmos no meio do caminho,
preciso tomar minha reposição... rs Fizemos maravilhosos single track's e neles
tivemos de tudo: Uil caiu clipado e eu vinha logo atrás pra ajuda-lo, me bati
em vários troncos de arvores, me sentia muita cansada, mas também realizada...
Começou a escurecer e repetimos o single track, a adrenalina tomou conta, pois
me vi dividindo o espaço com os morcegos... e paramos pra mais algumas fotos.
O cansaço
batia principalmente quando precisávamos subir aquelas ladeiras enormes
empurrando a bike, o cascalho solto, eu escorregava, Pit me empurrava e minha
forças estavam se esgotando, quando enfim chegamos ao rio e deveríamos passar
carregando a bike, eu peguei de qualquer jeito e comecei a andar, Elsão tirava
foto, Pit gravava vídeo, e eu nem me atentei que tinha um sapo enorme ao meu
lado (graças a deus que só me disseram depois que eu já tinha passado),
atravessamos, paramos pra tomar uma coca, uma menina olhou pra mãe e disse,
olha tem uma menina no meio, a moça da barraca me olhou e respondeu: é mulher
macho! rs Era eu!!!! Rsrs. Ali era a reta final daquela aventura incrível,
atravessamos por uma parte, onde metade era ponte a outra metade não... Ali
encerramos nossa trilha regada a muita risada após a última queda de Uil, que
caiu do nada, e "sumiu" no meio do mato.
2º Dia - Ciclo Aventura Chapada Diamantina (Mucugê, Aleixos, Vale do Pati) (Texto: Leonov Moreira)
Gostaria de
começar a resenha agradecendo aos parceiros de aventura pela companhia e
coragem para enfrentar os desafios. Não poderia faltar um agradecimento do
Aspira que sou eu, ao Sargento Pincel – o Dono da Parada – que vocês sabem quem
é, pela organização do bagulho, que embora possa ser melhorada, nos rendeu
grandes e inesquecíveis emoções , dores e alegrias. Mas a cara branca, dele
assustado do sargento pincel depois da queda não tem preço, mais isso é assunto
do terceiro dia.
Vamos a resenha
do segundo dia do pedal, partindo de Mucugê em direção a Dona Raquel no Vale do
Pati. Em que pese o primeiro dia ter sido duríssimo, eu tinha certeza que o
segundo dia ia ser pior, pelas condições da subida, mas para minha ingrata
surpresa, a minha certeza foi agravada para pior, e como diria meu amigo
Primeiro Ano : “Por onde é o pior? Vamos por ele, pois quanto pior melhor.
Começo a manhã bem,
para não dizer mal, preocupado com o calor, achei de colocar o saco do
Camelback no frigobar, para congelar a água, pois o sol da subida prometia. Me
dei mal, o saco congelou e colou do congelador, preocupado com horário tentei
arrancar na força quebrei o pino de encaixe da mangueira no saco. Resultado, o resto do pedal sem Calmeback, com a aguar em
garrafa. Mas o pior foi que me desorganizei, não me concentrei na alimentação e
na hidratação do café da manhã, além de esquecer se fazer meu pão de reserva
como fizeram Kichute e o Sargento Pincel, já que a mulher não me respondeu se
podia ou não. Fui dar uma de educado demais, o que me custou caro. Por isso a
lição foi - não invente , faça o
trivial, sofrer você vai mesmo, de um jeito ou de outro, poderia ter pedido ou
comprado gelo de manhã , ou ainda pedir para colocar o saco do Camelback numa
geladeira grande e não teria tido problema.
Partimos de
Mucugê, em direção ao Pati, para subir pelo Aleixos, foram uns 35Km de um bom
sobe e desce em um estradão, sendo que a manhã que apresentava-se com um frio
gostoso típico da chapada, foi logo dando espaço ao sol da chapada, e que sol.
Antes da subida, repomos a água num povoado de gente simples, humilde, alegre e
prestativa que só se encontra em locais como aquele, que desapareceu nas
grandes cidades, sendo que a esta altura eu já imaginava o sofrimento, mas como
disse anteriormente ele foi pior. Depois de uma pequena dúvida sobre o caminho,
o Sargento Pincel encontrou o caminho, e a sensação foi de alegria e tristeza
ao olhar a subida e imaginar qual seria o caminho. A subida, a escalada de
pedra do Aleixos foi de lascar. Em função do sofrimento tomei a liberdade de
procurar o significado do que seria Aleixos. De acordo com o Dr. Google o nome
tem o sentido de “aquele que defende”, “aquele que repele os inimigos”,
“defensor”. Se eu soubesse diria antes de começar: “ Parceiro alivia ai, eu sou
amigo, não precisa se defender de mim, sou amigo”. Não me lembro o tempo que levei
subindo, na minha frente seguiam o Sargento Pincel, Guga, Cerca, Kichute e Malcom
X9 - Neylor . Atrás Alexandre, e as
superpoderosas, Carla e Mara. Na minha mente o sofrimento, o calor e a subida
de pedra de um lado para o outro que só piorava. Confesso que pensei em
desistir. Mentalmente xinguei o Soldado Pincel de tudo quanto é nome, o melhor
elogio foi pensar esse cara é doido, não havia sentido subir pelo Aleixos, o
defensor do Pati, revelava-se implacável, na defesa da beleza natura que estava
por vir. No meio da subida quando já fazia as contas da desistência, de ficar esperando alguém resgatar a minha mochila
e descer para o Guine apenas com a bike, eis que surge “Alexandre - O Grande”,
que me deu uma força e disse ; “ Vamos juntos”. O cara tinha dado “Perda Total”
no dia anterior e naquele momento estava ali, preparado, mentalmente forte para
me ajudar. Fiquei alegre e passei a administrar o esforço. Combinei com ele o
esforço, dali em diante subiríamos juntos. Nós subíamos até o batimento cardíaco
chegar em 170, e parávamos para descansar. Retomávamos a subida com batimento
cardíaco de 130. E assim o Aleixo foi sendo vencido, até chegarmos numa pequena
gruta, onde a vontade que deu foi dormir. Após xingar o Dono da Boca em toda a
subida, confirmei minha suspeita, o cara era militar, por isso ele é o
psicopata brocador, o Sargento Pincel. Vale destacar que inobstante o peso
extra que levei, uma coisa é certa, nas subidas da chapada, um bom tênis ajuda
muito.
MURAL KIDS: DIVERSÃO PARA TODA FAMÍLIA
Foi com muita alegria que realizamos no último domingo no
Parque Metropolitano de Pituaçu o MURAL KIDS. Contamos com a presença não apenas
dos baixinhos, mas também de altinhos como pais, mães, tias e avós! Alguns até aproveitaram
para caminhar pelo parque.
O destaque especial foi a garotada, mandaram bem e pedalaram
muito, com direito a parada para água de coco, foi bonito ver a felicidade no
rosto de cada um. O objetivo do MURAL KIDS é divertir e aproximar pais, mães e
filhos através da prática de uma atividade esportiva. Uma ótima oportunidade
para tirarmos um pouco as crianças do mundo virtual de jogos eletrônicos e
celulares.
Aguardem no calendário do Mural de Aventuras a publicação de
novos encontros do MURAL KIDS. Venham e participem!!!
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR
Trilha Caboto: Siri Mole Frito 2 (Texto: Fausto Silva)
Sexta-feira a noite, tudo preparado para acordar cedo no dia
seguinte e encarar a primeira trilha com o Mural. E quando eu digo primeira, é
primeira mesmo! Nada de CTM, nada de trilhas nível 2 ou nível 3, resolvi
começar numa trilha nível 4: Trilha do Caboto.
Acordo cedo no sábado, tomo um café da manhã reforçado e
corro pra me encontrar com o pessoal. No total somos 6 guerreiros: Hugo (também
novo Muralista), Elson, Ito, Willyam, Plech e eu.
Após tirarmos as bikes do carro e zoarmos o kichute
(sapatilha de zumba) de Ito, iniciamos a trilha passando por fazendas e
estradas de terra até chegarmos em Maracangalha, onde paramos para tomar
algumas cervejas (estava quente e ninguém é de ferro, além disso, eu e Hugo
precisávamos ser batizados).
Seguindo viagem, alguns desafios e trechos técnicos, e aqui
começou a diversão e a contagem de quedas.... Hugo conseguiu passar por alguns
desafios e deixou alguns Muralistas veteranos para trás (não falarei os nomes,
afinal o que acontece na trilha, fica na trilha), além disso, Willyam levou um
tombo daqueles durante uma subida técnica.
Alguns quilômetros a frente, passamos por mais fazendas,
single tracks (e só para registrar: mais uma queda de Willyam durante um single
track) e estradões até pararmos em Candeias para abastecer as mochilas de
hidratação, fazer um lanche e tomar mais uma gelada (já falei que o dia estava
muito quente?).
Pedalando mais um pouco, chegamos ao Museu do Recôncavo
Wanderley Pinho (Engenho da Freguesia), um casarão do século XVII, que também
foi um engenho de açúcar, e fica as margens da Baia de Todos os Santos, com uma
vista única e maravilhosa que eu nunca teria conhecido se não estivesse com a
minha magrela. Nessa paisagem, tiramos também as tradicionais fotos do Mural.
Andando mais um pouco, fizemos nossa pausa para o almoço em
Caboto, no restaurante São Roque. Destaque para o excelente siri mole frito,
moqueca de camarão e a vista nada chata do mar ao se almoçar.
3º Dia - Ciclo Aventura Cânion do Xingó
Esse dia foi reservado para
fazermos o maior e mais difícil percurso. E “QUE DIA”!!!!!
Na noite anterior passei muito
mal com dor no estômago e fui parar no hospital. Tomei duas injeções, fiquei em
observação e depois me liberaram. Cheguei no Hotel com um pouco de dor e dormi.
Não foi uma noite tranquila, a dor ia e vinha. Só pensava na trilha, se
conseguiria fazer sentindo dor. Finalmente o dia amanheceu. Conversei com
Elson, Carla e Willian. As opiniões foram diversas. Ora de ficar, ora “você
quem sabe”. Mural que é mural não desiste. Então levantei, tomei banho e me
arrumei. Encontrei ele no café. Nem acreditaram que eu realmente ia. Comi a
pulso e que, por sinal, me fez sentir mais dor. Partiu!!! O pensamento foi o
tempo todo de não desistir. “A dor é psicológica”.
Ao amanhecer era possível
perceber como seria a temperatura. A região é muito quente e venta pouco. A
saída foi com quase 5km subindo. Subi nas graças de Deus. Senti muita dor e
calafrio. Não olhava para trás senão desistia.
Saímos do asfalto e pegamos a
estrada de terra. Lá é muito seco. A caatinga predomina. Passamos por vários
singles alucinantes. E o sol cobrava seu preço. A temperatura aumentava
absurdamente. O Garmin marcava 43.2 graus. Não tinha ponto de água (bar/casa/supermercado).
Passamos por poucas casas e em uma delas, encontramos uma senhora muito educada
e solícita. Pedimos água e fomos bem atendidos. Que água gelada! Agradecemos e
saímos.
Por volta do meio dia “a lua”
brilhou mais forte. Foi um sol para cada um. Não tinha uma nuvem para contar
história, nem árvore para fazer sombra. Paramos numa praça para hidratar, repor
as mochilas de água e pedir informações sobre o melhor lugar para almoçar. Foi
aí que nos indicaram a Fazenda Monte Cristo. Que lugar lindo!!! Almoçamos,
descansamos, tiramos fotos com os demais visitantes e saímos.
Trilha Itasap: A primeira trilha a gente não esquece (Texto: Paula Juliana)
Olá Muralistas,
Sou Paula Juliana a nova integrante do Mural de Aventuras e
quero expressar aqui a minha alegria em participar da Trilha ITASAP.
Pessoal, a primeira trilha a gente não esquece. Preparativos
da véspera (sexta): bike revisada, pneus ok, acessórios e alimentos para o
percurso. Agora era só começar a contagem regressiva... e foi efetivamente isso
que aconteceu, acordei praticamente de hora em hora e quando finalmente olhei
para o relógio e era 05:00 hrs nunca acordei tão feliz. Huhuhu!
É chegada a hora: A trilha e a recepção dos muralistas não
poderia ser melhor, aproveitei o Mural Móvel para me deslocar e, assim, poder
ir conhecendo algumas pessoas, então ao chegarmos em Itacimirim já me senti em
casa.Após foto à beira mar colocamos a bike a postos
e Bora Mural!!! Começamos a Aventura. A trilha era nível 3 e como foi proposto
com poucas ladeiras e ritmo médio. E assim foi possível apreciar e passar
dentro da Mata Atlântica da Reserva Sapiranga e percorrer single track,
atravessar rios segurando a bike (nunca tinha carregado dentro de um rio por
tanto tempo), mas adorei.
Depois disso tudo terminamos reagrupando e chegando
juntos ao destino final. A sensação era de um prazer enorme de alma lavada,
coração feliz, por isso, recomendo a todos a sempre que puderem, irem às
trilhas do Mural, não existe terapia melhor!!! Bora Mural!!! Amanhã tem mais
Trilha CABOTO (Candeias/BA) eu vou e você vai? Paula Juliana.
4º Dia - Expedição Titicaca (Bolívia - Peru): Isla del Sol e Isla de la Luna (Texto: Mário Leal)
É com muito orgulho e prazer que estou relatando a resenha
do 4º dia de aventura do Mural no Titicaca na Bolívia.
Mais uma noite muito fria em Copacabana, e o despertar foi
ainda mais frio. Estávamos ao lado do lago Titicaca, cartão postal da nossa
expedição. Seguimos para o desjejum, onde ainda precisaríamos fazer nossa troca
para moeda local (cambio). Nos deparamos com uma cidade toda fechada, apesar de
já passar das 07 da manhã. Com a falta de disponibilidade de casas de cambio
arrecadamos o dinheiro que ainda restava no grupo e conseguimos comprar sucos e
biscoitos, nos acomodamos na praça central da cidade para nos alimentar e
observamos que acontecia uma reunião típica daquela região, onde observa-se
como rotina este encontro antes de cada dia de trabalho. Uma vez alimentados
partimos para caixas eletrônicos para realizar os saques necessários, porem o
meu cartão ficou preso na maquina, mesmo liberando a quantia solicitada. A
programação para o dia era a visita às Isla del Sol e Isla de La Luna no Lago
Titicaca através de embarcação local pelo incatu.
Este lago encontra-se a 3.800 mt. acima do nível do mar e é
o maior lago navegável do mundo. Partimos para a maior ilha do lado Boliviano –
Ilha Del Sol. Durante o Império Inca, a Isla del Sol era considerada um
santuário onde estava o templo dedicado ao deus Sol. Hoje, a ilha é habitada
por comunidades de origem quéchua e aimará, que se dedicam basicamente à
agricultura, ao turismo, ao artesanato e à criação de lhamas e outros
mamíferos. Após 1h e 20 min. de navegação o comandante nos deixou na parte
norte da ilha, próximo às ruínas Incas e a mesa cerimonial, lugar muito bonito
com uma vista privilegiada no lago. Dali fizemos 1h e 40 min. de caminhada,
conhecendo as belezas da ilha. Porém a esta altura o companheiro Odilardo “Odi”, era acometido por uma infecção
intestinal, que o deixou bastante debilitado, com episódios contínuos de
diarreia, chegamos até apoia-lo nas subidas mais difíceis.
Chegando ao outro lado da ilha em Chalapampa, pegamos
novamente a embarcação que nos levaria a Isla de La Luna após 40 min. de
navegação. A maioria a esta altura já se encontravam nauseados devido ao
balanço, o vento havia ficado forte e várias ondas surgiam de todos os lados
chegando até a molhar o interior da embarcação, o Titicaca mostrava sua
força... Segundo a literatura este lago dispõe de 350 mt de profundidade, onde
suas águas representam apenas 5% do meio de subsistência daquele país.
A Isla de La Luna é um lugar bastante remoto. Fomos
recepcionados por um casal de idosos bastante receptivos, que nos apresentou o
local. É muito pouco habitada, onde o frio e a simplicidade reinam absolutos.
Os poucos habitantes possuem recursos mínimos de vida. Eu, GDI e Odi preferimos
não entrar na ilha, apenas nos recuperar do enjoo e aproveitar o tempo
descansar. Enquanto isso, Elson, Guga, Kadjon e Rei subiram para visitar ruínas
Incas da ilha.
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